janeiro 23, 2015

Erasmo diz não acreditar que Roberto tenha humilhado Tim

Erasmo Carlos está voando. Cada dia mais jovem, o Tremendão mal lançou o disco Gigante Gentil  (2014) e já está partindo para um novo projeto. Erasmo apresenta um repertório de lados B e composições que se perderam nesses tantos anos de carreira nesta sexta-feira (23), no Tom Jazz, em São Paulo

Feliz, leve e animado, o cantor não esconde a vontade de falar sobre a apresentação. "Não vai falar do meu show, bicho?", diz ele, em entrevista ao Terra , ao perceber que este repórter estava demorando para entrar no assunto que realmente o interessava. "São músicas que eu não canto em show, são músicas que as pessoas pedem sempre mas nunca estão nos shows 'normais'", afirma. No repertório divulgado, pérolas como Maria Joana e Gente Aberta (do álbum Carlos, Erasmo , de 1971), Grilos (Sonhos e Memórias , 1972) e Cachaça Mecânica (Projeto Salva Terra , 1974) estão garantidas no repertório. Clássicos? Não nesta noite.

Mesmo assim, Erasmo não foge da raia quando o assunto é polêmico e está pronto para esclarecer alguns conflitos de informações perdidos em seu passado e, principalmente, sobre seu amigo Tim Maia, que teve sua biografia retratada com controvérsias no filme Tim Maia, que estreou nos cinemas no fim de 2014, e na minissérie global, originada do longa e exibida em dois capítulos no começo de janeiro. "Eu nunca fui dos Sputniks, cara, mas sim dos Sneaks, os Cobras", esclarece, incomodado, um dos enganos cometidos pela montagem.

Sobre a produção da Globo, o Tremendão também se mostrou um pouco surpreso com a repercussão. "A Globo me convidou para participar de um documentário sobre o Tim Maia. Não sabia que iam cortar o filme e essas coisas. Eu fui chamado para fazer um filme sobre o Tim Maia. E aí a coisa se desdobrou, botaram meu depoimento lá e cortaram umas partes e tal. Eu não tinha visto o filme. Aí, fui ver o filme. Cortaram bastante coisa, realmente. Mas aí eu não tenho nada com isso", afirma.

Sobre a polêmica cena em que Roberto humilha Tim nos bastidores de um show, Erasmo também é claro em sua observação: "eu nunca vi nenhum assistente de artista humilhar uma pessoa como o cara mostrou no filme, não acredito que tenha sido assim não."

Confira e entrevista completa:

Terra - Você já é de uma velha guarda do rock nacional e, mesmo assim, dos seus contemporâneos, é um dos mais modernos, fazendo parcerias com Marcelo Jeneci, Cachorro Grande, Fresno fez um cover seu. Como é estar inserido nesse universo jovem e com essas parcerias com cantores mais recentes?

Erasmo Carlos -  Cara, eu vou vivendo, né? Sigo em frente e vou vivendo. Procuro ser antenado, ativo, fazendo coisas, e a convivência faz o resto. Eu danço o que a banda toca. Acho importante estar em evidência, produzindo com vigor, garra, ocupando seu espaço realmente. Seu espaço ninguém tira, você ocupa ou não, mas ele está lá sempre. Eu busco ocupar meu espaço para mostrar que eu existo, que estou vivo. O resto a vida faz.

Terra - E no seu novo disco, o Gigante Gentil...

Erasmo -  Ganhou o Grammy!

Terra - Isso, exatamente. Analisando o contexto de algumas músicas, é um disco que fala bastante de amor, como na sua carreira inteira, mas você faz uma relação com internet, com Facebook, com redes sociais. O Gigante Gentil fecha essa trilogia mais moderna, que começou com Rock n’ Roll, depois Sexo e agora esse encerramento?

Erasmo -  Eu acredito que sim, bicho. Porque agora, quando eu gravar um trabalho novo, já vou estar com outras ideias, sabe? Daqui, não sei, um ano e pouco... porque esse show que vou fazer agora não é novas ideias, é um projeto. Mas no próximo será outra coisa já, não sei o que vou estar pensando na época. O negócio da internet, estou tentando trazer para a música, sabe? Porque faz parte da nossa vida. Até os filmes de suspense, que as mulheres ficam sempre acuadas no fim do filme, e aí o assassino tá solto pela casa. Ela tem que justificar porque não pede ajuda pelo celular, aí ele sempre cai na água, ela perde. Então são coisas que entram aos poucos na vida da gente e não saem mais. E para falar na música, acho que tem que ser muito bem colocado, tem muito termo em inglês. Não tem verbo. ‘Telefona para mim?’, o verbo telefonar tinha. Agora e-mail, por exemplo, não tem um verbo, sabe? ‘Emeia para mim?'. Imagina uma canção o cara canta: ‘emeia pra mim, vou te emeiar...’, então aí fica um pouco difícil de cantar a sua vida na internet mesmo que ela já tome conta da sua vida.

Erasmo Carlos durante show em 2013
Foto: Facebook / Reprodução

Terra - E é meio que um reflexo seu mesmo, vendo suas redes sociais, dá para perceber que é um cara bastante antenado, ativo, conversa bastante, posta bastante foto, tem uma interação legal com seus fãs...

Erasmo -  Tem que usar esse veículo, né? O artista que não usa esse veículo hoje em dia vai ser extinto.

Terra - Mas falando de artistas novos, você, que trabalha com esses artistas, não só de rock, até porque não é somente um roqueiro, tem qual visão sobre esses novos nomes que estão surgindo?

Erasmo -  Ah, eu não dou conselhos, não. O artista é o que é. Ele evolui conforme vai amadurecendo, ele conta com a sorte com todo mundo, tem músicas que você faz que são boas por sorte, outras não são tão boas. É uma coisa muito particular de cada um. Você sempre tem que fazer as coisas, não pode parar. Se não toca no rádio, tem a internet. Eu estou substituindo a coisa de tocar no rádio, porque não pago jabá, então não toco no rádio, por alguma coisa. Tenho que mostrar minhas músicas novas para mostrar que eu não vivo mais da jovem guarda.

Terra - Você “sofre” muito com isso ainda? Ainda tem essa dificuldade de apresentar seu trabalho novo em show por conta da jovem guarda?

Erasmo -  Não, eu faço. Meus shows têm a parte da jovem guarda e a parte nova. As pessoas ouvem e gostam, o que não é o caso desses shows que estou fazendo agora, só tem lado B. Então não adianta pedir pra eu cantar Sentado à Beira do Caminho que eu não vou contar. Só músicas de Lado B mesmo, que não tocaram no rádio, que fizeram para mim mas outra pessoa gravou, sucessos de outra pessoa, sabe? Músicas assim.

Terra - Acredita ser importante fazer essa renovação no repertório, ainda mais sendo um artista experiente, com tanto tempo de estrada?

Erasmo -  Acho. É difícil, né? Os shows que eu faço o público quer ouvir sucesso, música nova é sempre difícil de tocar, ainda mais quando não toca no rádio, sabe? Então é difícil. Mas mesmo assim tem que cantar, mostrar que o cara tá vivo, fazendo coisas hoje. Tem pessoas que dizem ‘ah, no meu tempo...’, meu tempo é agora. A jovem guarda tem um público muito fiel, então eles vivem presos na jovem guarda e querem que os artistas fiquem presos também. Cabe a você se libertar. As pessoas têm pedido pra caramba pra eu fazer show da jovem guarda, mas eu não faço. A jovem guarda está presente nos shows como é, onde eu canto sucessos da minha vida e as músicas atuais também.

Terra - Sobre a jovem guarda, a Fresno fez há um tempo um cover de Sentado à Beira do Caminho. Como encara essa coisa de continuar inserindo um pé em cada geração de músicos que aparece?

Erasmo -  Mas eles fazem por causa da música, não é por mim não, sabe? Eles gravam as músicas porque gostam, não acredito que seja por minha causa. O Fresno gravou, o Sabonetes também. Aí é a força das músicas, sabe? Isso começou com Leo Jaime, que gravou Gatinha Manhosa , aí o público fica pensando que a música é do cara.

Terra - Isso te incomoda?

Erasmo -  Não, não. Nada me incomoda, cara. O importante é estar junto com os outros, na frente, se for possível. Não perco tempo analisando as coisas. Eu vou seguindo em frente. Faço o que quero, hoje minha gravadora permite isso, não preciso de autorização de ninguém, então vou vivendo e vendo o que tenho que fazer. Se for parceria a gente vai fazendo também, com Arnaldo Antunes, Nelson Motta, Caetano Veloso, quem aparecer a gente faz. Eu sou do mundo, o que ele apresentar eu vou vivendo.

Terra - E essa parceria com o Caetano é inédita, não é? Demorou para acontecer, não acha?

Erasmo -  É inédita, do Gigante Gentil. Demoramos, cara! Foi na MTV. A Paula Lavigne estava com a gente e começou a falar: ‘pô, vocês nunca fizeram uma música juntos, tá na hora de fazer...’ e aí a gente riu e tudo mais. Aí, quando estava gravando o Gigante Gentil eu me lembrei disso e mandei uma música para ele. Quem sabe né? Aí ele topou e pronto. Gosto muito, fico à vontade de falar porque a letra é dele, né? Então eu considero uma obra prima. Letra linda, falando de amor.

Terra - E se tem uma coisa que Caetano sabe falar é de amor...

Erasmo -  Ô!

Terra - Eu tenho mais um tema para tratar com você. O livro do Nelson Motta sobre o Tim que originou o filme foi muito bem recebido pela crítica e é elogiado até hoje. Mas a adaptação feita pela Globo teve uma repercussão polêmica. A repercussão ou a montagem da história te incomodaram de alguma maneira?

Erasmo -  Não, porque a vida não era minha, né? Aí, a Globo, por exemplo, me convidou para participar de um documentário sobre o Tim Maia. Não sabia que iam cortar o filme e essas coisas. Eu fui chamado para fazer um filme sobre o Tim Maia. E aí a coisa se desdobrou, botaram meu depoimento lá e cortaram umas partes e tal. Eu não tinha visto o filme. Aí, fui ver. E cortaram bastante coisa, realmente. Mas aí eu não tenho nada com isso. Agora, a minha parte do filme, eu fui muito amigo do Tim na infância, o filme quase não mostra, mas foram passagens muito minhas e dele, nada definitivo.

Sobre a cena (cortada, onde Roberto teria humilhado Tim no camarim) eu não sei, ele tá morto, não pode se defender. O Roberto é quem pode dizer. Agora eu não acredito que tenha sido daquele jeito, não, porque eu nunca vi isso, nenhuma equipe de artista dar uma prova de prepotência como essa, o que me leva a crer que aquilo foi uma decisão do diretor. Cada cena pode ser de milhões de maneiras. Mas eu nunca vi nenhum assistente de artista humilhar uma pessoa como o cara mostrou no filme, não acredito que tenha sido assim não.
Nada de clássicos! Show de Erasmo é só com lados B
Foto: Divulgação

Terra - Sobre o show de lados B que está fazendo, exatamente qual é a proposta da apresentação em relação ao ambiente e a relação das músicas com o público?

Erasmo -  Eu já fiz esse show aqui no Rio, deu certo, então a gente resolveu gravar em DVD, porque são músicas que eu não canto em show, são músicas que as pessoas pedem sempre mas nunca estão nos shows “normais”. Então, (o projeto existe) por uma série de motivos. Escolhemos uma casa pequena propositalmente para dar uma intimidade, porque o show não é só musical, tem bastante papo, eu converso muito com as pessoas. Então a casa pequena é pra ficar mais aconchegante.



Fonte: Terra

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