abril 10, 2013

O sexo em 1969



«Os anos 60 terminaram, a droga nunca voltará a ser tão barata, o sexo nunca voltará a ser tão livre e o Rock&Roll nunca voltará a ser tão grandioso». As palavras são de Abbie Hoffman, activista hippie norte-americano, e refletem a década do amor livre e das flores nos cabelos. Passaram-se mais de 40 anos e já ninguém se sente tão livre como aqueles jovens que dançaram sem roupas aos sons de Woodstock.

No sexo, não há um antes ou depois de Cristo. Há um antes e depois dos anos 60, década que viu desenrolar uma revolução sexual sem precedentes. A par do movimento hippie, da contestação pela paz e dos movimentos civis das mulheres, homossexuais e afro-americanos, a década do não-conformismo é também sinónimo do “amor livre”. Curiosamente, o seu apogeu foi exatamente em 69, um número bem conhecido pelas suas conotações sexuais.
Estávamos em 1969 e o tabu em que o sexo esteve envolvido durante séculos quebrava-se a cada dia. Foi um golpe duro para os pais norte-americanos, que viam os seus filhos com cabelos cada vez maiores – adornados com flores, a caminho de S. Francisco – e a proclamar o discurso do amor-livre.
Acabava-se a história de que o sexo servia apenas a procriação (e escondido entre as quatro paredes do lar), estilhaçada pelas reivindicações feministas que instavam à reapropriação do corpo pelas próprias mulheres. E a massificação do uso da pílula contraceptiva ajudou a pôr as palavras de ordem em prática. Foi a proclamação de que as mulheres faziam sexo por prazer e sem estarem dependentes da maternidade não desejada – à semelhança do que os homens sempre tinham feito.



Estávamos em 1969 e o livro “The Way to Become the Sensuous Woman” (em português, “A Forma de se Tornar a Mulher Sensual”) tinha acabado de ser publicado. Joan Garrity, a autora, chegava mesmo a apresentar exercícios para as habilidades linguísticas e a explicar o sexo anal. E, mais uma vez, os pais abanavam a cabeça, de forma reprovadora, a pensar na vida que os filhos levavam. Enquanto as mães, provavelmente, leriam o livro de Garrity às escondidas.

Estávamos em 1969 e já se tinham passado alguns anos desde que a cultura do “amor livre” tinha marchado pelas ruas, sem vontade de recuar. Os hippies apelavam ao poder do amor, a que juntavam o apelo pacifista. «Fazer amor e não guerra» tornou-se um dos slogans mais conhecidos de sempre. E, com o apelo à força do amor, o movimento LGBT (lésbicas, gays, bissexuais e transexuais) começou a ganhar força e tornar públicas as suas reivindicações. O dia 28 de Junho de 1969 fica na história como o dia dos tumultos de Stonewall. Pela primeira vez nos Estados Unidos, a comunidade homossexual lutou contra a discriminação das minorias sexuais.



Estávamos em 1969 e cerca de 500 mil pessoas juntaram-se numa quinta em Nova Iorque. O Verão estava no seu auge, em pleno Agosto, apesar da chuva que, de vez em quando, teimava em aparecer. A cannabis trocava-se livremente, tal como o coito fugaz, num modo de vida de uma geração para a qual, mais do que uma vontade privada, era um sinal político. Os cabelos longos emolduravam peitos despidos e vestidos, num ambiente em que o mais importante de tudo era a música. E como a música tocou em Woodstock. De forma épica.
A voz rouca de Janis Joplin serviu de banda sonora à proclamação do amor e da paz, assim como a electrizante guitarra de Jimi Hendrix ou os sons psicadélicos de Jefferson Airplane, entre muitos outros. Ao todo, foram 32 concertos em três dias de festival que deram um som à revolução sexual (entre tantas outras revoluções) dos anos 60. Três dias em que o mais importante foi o Rock&Roll.
Estávamos em 1969 e o futuro nunca antes tinha parecido tão “novo”, com tanto potencial e tão disruptivo. Passaram-se mais de 40 anos e grandes conquistas foram entretanto conseguidas nos direitos civis. Mas nunca mais o Rock&Roll ecoou tão longe, o amor foi tão valorizado e o sexo foi tão livre como naquela quinta de Nova Iorque. Mesmo que os jovens de então se tenham tornado parecidos com seus pais, à medida que o tempo passou.









Fonte: Informações http://obviousmag.org/

6 comentários:

  1. Os anos 1960 foi um dos melhores anos em tudo,eu que vivi nesta época do ano sei o que foi,nossa geração sabia a viver e como,tenho muitas saudades dos anos 60,70,80 três decadas maravilhosas,que saudade.

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  2. E ainda assim, os chamados "anos 60" não passaram de uma doce ilusão da juventude.

    Antes que alguém venha comentar algo, me diga se a ordem vigente mundial mudou por causa dessa tão épica "revolução"

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    1. A ordem vigente mundial não, mas as pessoas mudaram colega e isso é mias do que o necessário para ver o quão o Rock & Roll pode nos levar longe, às alturas e além.

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  3. Antes eu pensava em como seria bom viver nessa época, mas agora vejo que pensamento medíocre e antiquado, os jovens lutavam pelos seus direitos, tanto homens quanto mulheres, tanto brancos quanto negros, mas na minha opinião isso ocorreu devido a um stress geral, em decorrência da guerra fria, e uma forma de se libertar acho que sempre foi a musica, ela sempre esteve nos mais estranhos, antigos e diversos rituais, funciona como uma válvula de escape, para assim se manifestar o real desejo. O meu caro anonimo assim como eu, perguntou se alguma coisa mudou na ordem vigente mundial, eu não sei dizer bem certo mas acredito que tenha mais liberdade para me expressar hoje em dia, agora se a ordem vigente seria o mais forte sobre o mais fraco, eu não sei oque poderia se fazer para mudar isso, e tão pouco me importa. Mas voltando ao assunto de 60 oque é realmente importante para mim dessa época, é que os jovens faziam oque queriam!

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  4. Adorei.. Queria ter vivido nos anos 60.......

    Venha conhecer meu blog e me seguir também..

    beiJUs
    http://feiffercereja.blogspot.com.br/2013/04/escolha-sua-carta-e-veja-o-que-o.html

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