outubro 09, 2013

Anos 70: As mentiras que muita gente acreditava ser verdade

O "Notícias Populares", em especial durante a década de 70, notabilizou-se ao estampar em suas páginas as mais variadas "espécies" de crianças.

Do bebê-diabo ao bebê-sereia, os leitores acostumaram-se ao longo do tempo com as bizarrices publicadas pelo jornal, a ponto de sempre ficarem com aquela sensação de déjà vu após lerem as histórias, de tão semelhantes que elas eram em alguns pontos.



Um exemplo disso está na manchete da edição de 11 de novembro de 1975: "Bebê Atômico Nasceu em SP". O texto não tratava de um recém-nascido, mas sim de uma criança do sexo feminino, que em 1974 deu entrada na pediatria da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo com uma suposta anemia, diagnosticada após uma bateria de exames de sangue.



Em 11 de novembro de 75, o 'Notícias Populares' deu à luz a mais uma criança especial, desta vez o bebê atômico

Quatro meses após a consulta, a menina passou a sofrer de fraqueza e perda de memória, além do surgimento de manchas arroxeadas por todo o seu corpo. Desta vez, a garota foi levada para uma clínica particular, onde nova leva de exames foi pedida. Começava aí a relação entre a dra. Vânia e a pequena Guta (nomes fictícios dados pelo NP).

Ao receber os resultados, a médica constatou que os níveis de glóbulos vermelhos estavam praticamente zerados e também que havia a reprodução de células cancerígenas no corpo. Com isso, exclamou: "Leucemia!".

Após consultar extensa bibliografia sobre o assunto, Vânia descobriu que sua paciente estava contaminada por radiações atômicas. Isso lhe causou espanto: "Não sei como esta menina ainda não morreu".

Curiosa com o caso, a doutora acompanhava dia a dia a evolução do quadro de Guta, até que em uma determinada manhã aconteceu um fato assustador. A menina, que se encontrava parada próxima à janela, desferiu um safanão na médica e logo na sequência pulou para fora do consultório, que ficava no quarto andar de um prédio.

Ao recuperar-se do choque, causado pela força descomunal da pequenina, correu até a janela esperando ver a garota morta no chão. Mas, aí, levou outro susto. A criança estava em pé e com os braços erguidos na direção do céu, atraindo raios e relâmpagos, como se fosse personagem saída de gibi da série X-Men. Depois de presenciar a cena, Vânia desmaiou.

A segunda manchete do "Notícias Populares" sobre o caso saiu no dia 12 de novembro de 1975, um dia depois da primeira aparição no diário, e tinha tudo para espalhar pânico entre os leitores: "Bebê atômico está a solta em São Paulo".

Nas páginas internas da publicação havia um relato da dra. Vânia, que afirmava ter recebido visitas da pequena Guta menos de 30 dias após o assustador evento em seu consultório.

Nesse período, a menina adquiriu as habilidades de se transformar em líquido e de ficar invisível, com isso ela passou a entrar e sair pelas torneiras das casas, onde gostava de pregar peças nos moradores, percorrendo cômodos, mexendo em brinquedos e outras coisas do tipo. Foi dessa forma que ela se reencontrou com a médica, enquanto a mesma tomava banho em sua casa. A água começou a esquentar e uma fumaça amarela tomou conta do banheiro. Apavorada, a doutora saiu rapidamente da banheira e, poucos segundos depois, todo aquele vapor transformou-se na sorridente Guta.

Após essa aparição, os encontros entre as duas foram cada vez mais frequentes, e Vânia continuava a examinar a pequena, submetendo-a a vários tipos de exames. Em toda essa busca por respostas, ela chegou à conclusão de que havia uma grande concentração de césio 137 e estrôncio 90 no sangue da garota. Uma simples gota dele poderia matar uma pessoa, o que tornava a criança uma perigosa ameaça para a sociedade.

Mesmo com todo esse risco, a garotinha não parava quieta e continuava a visitar casas por diversas regiões da zona leste de SP, principalmente as mais longe do centro, onde as ondas de rádio e TV lhe provocavam muitas cócegas. Osasco (Grande São Paulo) e as cidades do ABC também estavam entre os lugares preferidos da menina.

Foi em um desses passeios, mais precisamente em Santo André (SP), que ela fascinou um casal de idosos. Dona Rosa e seu Raimundo assistiam ao último capítulo da novela "O Grito" quando perceberam que o seu aparelho de televisão preto e branco estava ficando com a imagem colorida. De repente, a representação de uma criança formou-se no tubo da tevê. Ao ver a cena, seu Raimundo não teve dúvida: "É o bebê atômico, véia!".

Com medo, dona Rosa implorou: "Por favor, Guta, não nos faça mal!". Mas com o tempo, o sentimento de pavor deu lugar a tranquilidade, pois ela percebeu que a criança só precisava de um pouco de atenção e de um copo de leite gelado, o único alimento comum que a garota nuclear conseguia ingerir. De acordo com Raimundo, "essa menina é um amor". A visitação foi destaque na capa do jornal do dia 13 de novembro de 1975: "Bebê atômico visita casal".

No outro dia, ao amanhecer, a menininha seguiu para a represa Billings, o seu lugar favorito para se alimentar dos raios solares e recuperar suas forças, mas o tempo estava parcialmente nublado, o que a obrigou a procurar as redes de energia elétrica, também fontes de seu sustento.

BAIXINHA ENCRENQUEIRA
Em sua peregrinação em busca de "comida", o pequeno ser radioativo causou confusão em sua passagem pela região da avenida Cruzeiro do Sul (zona norte de SP). A vítima desta vez foi Abílio, proprietário de um Ford Galaxie azul, novo, que ao tentar dar partida em seu automóvel, viu as luzes do painel se apagarem e nada mais funcionar. Furioso, reclamou: "Esse maldito bebê roubou toda a energia do meu carro!".

Em 14 de novembro, o "Notícias Populares" trazia em sua primeira página mais um reboliço criado pela pestinha. Em "Bebê atômico ataca e foge na V. Prudente", as mudanças na personalidade e comportamento da menina foram destacadas.

Cansada dos testes e experiências feitos pela dra. Vânia e uma dupla de cientistas japoneses, Guta discutiu com todos e prometeu nunca mais voltar ao consultório e, ainda, os ameaçou: "O que essa boboca e esses malucos estão pensando? Eu jogo um raio em cada um e pronto! Vão aprender a não mexer com o bebê atômico".






Fonte: Informações F5 Folha Uol

2 comentários:

  1. Nos anos 70 as mentiras boas que li,hoje vejo nos jornais as mentiras doidas os nossos politicos,e altas altoridades evovidas com bandidos,prefiros as mentiras do anos 1970,são mais saudavel.

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  2. Também nos anos 70 se você publicasse algo que realmente fosse verdade era bem provável que a próxima manchete do teu jornal no outro dia sairia assim: "Encontrado corpo de jornalista desaparecido militares que o encontraram dizem que após ele ter dado 35 tiros de metralhadora nas costas aparentemente ele subiu o Pão de açucar e se jogou lá de cima " ....

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