abril 23, 2013

Subi a Rua Augusta a 120 por hora

Rua Augusta 1965

Há mais de um século atrás, por volta de 1875, a Rua Maria Augusta ligava a Chácara do Capão (atual R. Antonia de Queiroz) à Estrada da Real Grandeza (nossa ilustre Avenida Paulista). Mais tarde, a partir da década de 1950, a rua não só deixou o “Maria” de lado, como transformou-se em um centro de compras e símbolo de sofisticação. A Augusta passou a abrigar grifes, espaços gastronômicos e se tornou ponto de encontro de artistas. Durante os idos anos 60 e 70, a juventude dominava suas calçadas. Enquanto os jovens paulistanos exibiam seus carros em alta velocidade pelo asfalto, a Jovem Guarda encarregou-se de afamar ainda mais a rua com o nostálgico refrão “Hay, hay, Johnny. Hay, hay, Alfredo. Quem é da nossa gangue não tem medo”.

Os jovens e as roupas usadas nos anos 60

Não é nenhuma novidade o estilo de vida dos jovens dos Anos 60, embora muitos ainda seguissem a filosofia dos “Rebeldes sem causa”, defendido pelo estilo James Dean, dos anos 50, ou de Brando e Presley, dentre outros e, no Brasil, especialmente nas cidades consideradas “grandes e avançadas”, não era diferente.

No caso da Rua Augusta daquele tempo, os jovens paulistanos exibiam seus carros em alta velocidade pelo asfalto, encontros de turmas, grupos, casais de namorados, onde a onda do Rock n Roll, ainda imperava. Era o frisson da época subir a Augusta, no sentido Avenida Paulista , fazendo “pegas e cavalo-de-pau” e apostando corridas em grupos de 10 a 15 carros, no estilo “Juventude Transviada”. Era um delírio para todos: os jovens se deleitavam com a adrenalina e os pais ficavam às raias de infartos e colapsos nervosos.


Evidentemente que tudo isso não tinha apenas que ser vivido pela juventude, mas também cantado. E, assim sendo, a música Rua Augusta (1963), de Hervé Cordovil e, cantada e interpretada por seu filho Ronnie Cord (Ronald Cordovil), retrata muito bem toda essa rebeldia da juventude paulistana. Posteriormente, a música foi imortalizada pela Jovem Guarda, com Erasmo Carlos (o Tremendão) tornando-se um dos maiores hits dos anos 60. Muitos outros artistas também regravaram esse sucesso marcante, como os Mutantes, em 1972 e Raul Seixas, nos anos 80, quando gravou um disco em tributo ao Rock.

Por falar nisso, o programa Jovem Guarda, um programa de auditório, da TV Record, surgido em 1965, comandado por Roberto Carlos, Erasmos Carlos e Wanderléia, contribui sobremaneira para que Rua Augusta ficasse nacionalmente famosa (Aliás, o maior e mais famoso programa de música pop que o país já teve). Tem até o episódio com Erasmos Carlos que, empolgado com toda a história da Rua Augusta, comprou um fusca cor de abacate para subir e descer a rua, ainda nos velhos bons tempos. Dizem que o apelido “Tremendão”, do Erasmo foi por causa dessa música. Dizem também que parte da juventude paulista da época encarava isso como um insulto, pois paulistas e cariocas sempre tiveram suas diferenças.

Relembremos o significado e clima que a canção Rua Augusta passava para todos na Época de Ouro da juventude brasileira:

Entrei na Rua Augusta
A 120 por hora
Botei a turma toda
Do passeio pra fora
\Com 3 pneus carecas 
Sem usar a buzina
Parei a quatro dedos
Da esquina
Falou!
Vai! Vai! Johnny
Vai! Vai! Alfredo
Quem é da nossa gangue
Não tem medo...(2x) 

I I 
Meu carro não tem breque
Não tem luz
Não tem buzina
Tem 3 carburadores
Todos 3 envenenados
Só pára na subida
Quando falta gasolina
Só pára se tiver
Sinal fechado
Tremendão!

III
Toquei a 130
Com destino à cidade
No Anhangabaú
Botei mais velocidade
Com 3 pneus carecas
Derrapando na raia
Subi a Galeria Prestes Maia
Tremendão!
Vai! Vai! Johnny!
Vai! Vai! Alfredo!
Quem é da nossa gangue
Não tem medo...(2x)

Rua Augusta nos dias de hoje

É bom lembrar que, apesar da música dizer a 120 por hora, eles paravam no sinal fechado, coisa que muitos jovens de hoje não fazem, demonstrando outro tipo de rebeldia que conduz à morte em muitas ruas do país.









Fonte: Informações:http://juarez-chagas.blogspot.com.br
Professor do Centro de Biociência da UFRN 

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