abril 08, 2018

São José do Rio Preto - SP O primeiro show do quase rei Roberto Carlos


Em 1965, ainda desconhecido, Roberto Carlos apresentou-se em Rio Preto em um show com público pífio. No ano seguinte, já famoso pelo programa Jovem Guarda, arrastou multidão ao Automóvel Clube


Corria o ano de 1965. A cidade convivia pacificamente com o regime militar, depois das primeiras horas de abril de 1964, quando houve prisões e cassações de vereadores e professores. No começo do ano, aparece por aqui um cantor magricela, pilotando o seu próprio fusquinha: Roberto Carlos. Ele e apenas o baterista Dedé fizeram um show para muito poucos no Sindicato dos Bancários (que ficava em cima do Cine Rio Preto).


O radialista Roberto Toledo apresentou o show e se lembra bem dele cantando a música "Brucutu". "Eu fiquei sentado no chão e realmente só tinha um gato pingado", diz Toledo. Entre os poucos espectadores estava o advogado rio-pretense Wilmar Cannizza, que se encantou com o cantor. Roberto ainda era um "quase ninguém". Tanto, que nenhum dos cinco jornais que circulavam na cidade diariamente deu a notícia de sua apresentação.


Cannizza levou Roberto para sua casa e ali começou uma grande amizade. Roberto almoçou entre seus familiares e tirou muitas fotos (o álbum foi entregue recentemente ao cantor pelo empresário Dedé Messici, após a morte do advogado). Cannizza prometeu divulgar o cantor por toda a região. Tentou, sem sucesso, uma apresentação no Automóvel Clube, que era naquela época o maior local de shows na cidade.

Em agosto do mesmo ano, a TV Record parou de transmitir jogos de futebol ao vivo na TV aos domingos. Para tapar o buraco, foi criado um programa de auditório chamado de "Jovem Guarda", que logo virou febre em todo Brasil. No comando, o mesmo Roberto Carlos. Cannizza ia semanalmente pra São Paulo e aparece muitas vezes nas imagens do programa.

No ano seguinte, o Automóvel Clube, sob a batuta do diretor social, o médico Roquette Lima, apresenta toda semana o "Show da meia-noite", trazendo os maiores artistas de nosso País. Roquette e toda diretoria querem agora, de todas as formas, trazer o "maior cantor da juventude brasileira". Foram meses de negociação com o empresário de Roberto, Marcos Lázaro, considerado um dos introdutores do conceito show biz no Brasil.





O ano já estava terminando e nada de Roberto. Então, finalmente, em 6 de dezembro de 1966, após um telefonema de Cannizza para o amigo, Roberto se apresenta com o seu quarteto no show da meia-noite. Foi um estrondo medonho, com gente caindo pelo ladrão. O Diário deu até matéria de capa. As objetivas da Jotacê Filmes, de Jaime Colagiovanni, registraram o espetáculo, que teve a apresentação do jornalista Amaury Jr.


Canniza estava lá, é claro, e aparece no filme de camisa branca e óculos escuros, bem atrás da mesa de Amaury e Roquette. Roberto ganhou um dos maiores cachês já pagos a artistas em nossa cidade, só superado em 1970, pelo do cantor britânico Malcon Roberts (que ganhou o FIC-Festival Internacional da Canção de 1969), no aniversário de 50 anos do clube. Mas aí já é outra história...



Fonte:www.diariodaregiao.com.br

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