abril 07, 2015

Maristone Marques: o som do iê-iê-iê pernambucano dos anos 60

Maristone (em pé, à esquerda), com Os Tártaros - arquivo pessoal de Maristone Marques


O conjunto Os Lords, que tinha um guitarrista chamado Nido Mau, foi um grupo muito bom, mas ia muito na linha dos Incríveis, um dos maiores sucessos dos anos 1960 aqui. "Foram para o Sul, logo no começo da jovem guarda, gravaram disco por lá."

Quem passa a informações sobre um dos primeiros grupos do iê­iê­iê recifense é Maristone, memória viva de pelo menos três décadas de música pernambucana. Foi vocalista, empresário, produtor. Por fim, mas não menos importante, responsável pelo som da maioria dos festivais, e espetáculos importantes acontecidos no Estado entre os anos 60 e 80, incluindo aí o projeto Pixinguinha, no final da década de 70. Muito do que sonorizou foi salvo em tapes que guarda em casa e corre o risco de perder-­se: "Não tenho recursos para digitalizar", resume Maristone Monteiro Marques.

Foi também uma espécie de conselheiro da turma. Recriminando uma das bandas da cena udigrúdi dos anos 70, ele comentou com os integrantes: "O problema de vocês é que querem ficar doidos antes. Por que não fazem feito os Rolling Stones? Primeiro eles ganharam dinheiro, depois é que ficaram doidos". Morador do bairro de Campo Grande, Zona Norte do Recife, onde surgiram alguns dos grupos mais importantes da Jovem Guarda do Recife, entre outros, Moderatos e Bambinos, Maristone começou cantando nos Tártaros, que rivalizava com os Silver Jets na preferência dos jovens e de contratantes de conjuntos para bailes. Mas não demorou muito como cantor. Decidiu partir para empresariar os grupos. Seu lugar nos Tártaros foi ocupado pelo hoje romancista Raimundo Carrero. "Quer saber de uma? Reginaldo Rossi não sabia nada de inglês. Estudei na Cultura Brasil­Estados Unidos, e ensinei pronúncia a ele para que cantasse músicas estrangeiras nos Silver Jets. Reginaldo cantou em certos lugares, como a boate Rosa Amarela, porque era protegido de Carlos Wilson Campos", revela, sobre o primeiro roqueiro recifense, que se tornou ídolo nacional, com o sucesso de O pão, em 1967.

Por causa de outro sucesso, de menor repercussão, Festa de pães ("Só vai dar pão/ cada pão, cada pão") Rossi passou a ser chamado pelos colegas do Recife de "Nado do Pão". "Um cara da Continental apareceu por aqui e convidou pra ele ir ao Rio. Reginaldo demorou a se decidir, mas aceitou. Vendeu um Gordini e uma guitarra e foi embora", revela, e enumera grupos de existência efêmera, feito Os Primos, formado por garotos, pré-­adolescentes, parentes dos integrantes dos Silver Jets. E ainda os Military Boys, formado por alunos do Colégio Militar: "Mas estes só tocavam no Círculo Militar", esclarece Maristone. No entanto, a história maior de Maristone, pela qual ele é uma lenda entre os músicos veteranos de Pernambuco, é o som.

Durante vários anos, foi o mais bem equipado sonorizador de shows da cidade, uma profissão que começou por acaso: "Eu tinha feito um curso no Senac, ia pra São Paulo continuar a estudar. Perto de viajar, Paquinha, dos Silver Jets (Pascoal Filizola, cujo irmão Fernando, do mesmo conjunto, mais tarde foi fundador do Quinteto Violado), me contou de um problema com o equipamento novo deles. Ninguém, conseguia consertar. Fui lá, tirei válvula, botei válvula, e nada. Acabei por descobrir que o defeito era no alto falante. "Coroa", de 24 anos, em 1966, Maristone tornou-­se empresário até por falta de quem acreditasse que poderia ganhar dinheiro com conjuntos de cabeludos. Investiu em equipamentos, inclusive comprando o cobiçado órgão, num tempo em que os grupos se limitavam ao básico, guitarra, baixo, bateria.





Fonte: jconline.ne10.uol.com.br

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