junho 28, 2015

Raul Seixas antes de ser Maluco Beleza foi uma brasa, mora

Roqueiro, que neste domingo (28/06/15) faria 70 anos, foi cantor e autor de iê iê iê

Raulzito (primeiro à esquerda e Os Panteras, em 1968) foto de divulgação

1 ­ Eu e Erasmo, 2 ­ Eu e Caetano, 3 ­ Eu e Gil, 4 ­ Eu e Núbia Lafayette, 5 ­ Eu e Roberto Carlos, 6 ­ Eu e Leno, 7 ­ Eu e Cláudio, 8 ­ Eu e Kika, 9 ­ Eu e Luiz Gonzaga. O "Eu" é Raul Seixas, os duetos, um hipotético álbum pensado por ele, num manuscrito incluído no livro O Baú do Raul Revirado, organizado pelo jornalista Sílvio Essinger, para a Ediouro, em 2005, quando o Maluco Beleza completou 60 anos. Nos artistas selecionados, ele revela suas influências e preferências na música brasileira. Duas delas, Roberto Carlos e Leno, da Jovem Guarda.

Hoje, dia em que Raul Seixas completaria 70 anos, serão lembradas suas muitas peripécias, a partir de 1971, quando começou a recriar o rock brasileiro com o álbum Sociedade da Grã-­Ordem Kavernista Apresenta Sessão das 10 (com Sérgio Sampaio, Míriam Batucada e Edy Star). Pouco será lembrado de sua fase Jovem Guarda, como músico, compositor, e produtor de iê­iê­iê. Os Panteras, o mais importante conjunto da Jovem Guarda baiana, formado por Raulzito Eládio Gilbraz, Mariano Lanat e Carleba, algo comum na época, era convidado para acompanhar os astros do iê­ iê ­iê do "Sul", quando eles se apresentavam em Salvador, um deles mudaria o curso da história do então comportado roqueiro baiano, Jerry Adriani, que apadrinhou Os Panteras, quando os integrantes decidiram tentar o sucesso no Rio de Janeiro.


Os Panteras tornaram­se a banda de apoio de Jerry. Eles aterrissaram no Rio quando a Jovem Guarda estava no auge, mas só conseguiram chegar ao disco, em 1968, quando o programa, cujo nome virou sinônimo de iê ­iê ­iê, começava a perder audiência. "Nós não pretendemos comparar­nos aos Beatles, nem fazer no Brasil a revolução que eles fizeram lá na Inglaterra, mas que trazemos na nossa música um novo conceito em matéria de música jovem brasileira, lá isso é verdade", comentou Raulzito na revista Intervalo, em 1968, quando se preparavam para lançar o LP.

A desilusão com o pouco sucesso alcançado pelo álbum fez Raulzito deixar o grupo e retornar a Salvador, segundo a Intervalo, para voltar a estudar direito e trabalhar na fábrica de material elétrico do pai. À revista, ele explicou um dos motivos de ter saído do conjunto. Um deles foi não ter se adaptado à vida artística. Outro motivo: "Como compositor eu gosto de inovar e confesso que no Rio não consegui ambiente para isso". Mas não foi tempo perdido, claro. Nos dois anos que passou no Rio, Raulzito fez amizades que garantiriam sua volta. Uma delas foi com o quase adolescente Leno, citado como parceiro no imaginário disco de duetos de Raul.

Leno vinha de vários sucesso com Lilian e tinha iniciado carreira solo bem sucedida, estourado com A pobreza (Renato Barros). Conheceram­se evento beneficente, na Urca, Zona Sul carioca. Leno entrou depois de um tumultuado show de Jerry Adriani. Ele e o guitarrista Raulzito desceram do palco trocaram sopapos com uma turma que o xingava de "bicha". Os dois seriam amigos e parceiros. A maioria das composições de Raul até então foram gravadas pelos Panteras. Os Jovens seria o primeiro grupo carioca a gravar Raulzito, num compacto naquele mesmo 1968. A música de Raulzito chama-se Se Você Prometer.

Com Leno, ele exercitaria com mais convicção a criação musical, afinal estava em parceria com um dos artistas que frequentavam o programa Jovem Guarda, inalcançável para bandas da periferia. O programa Jovem Guarda acabou em 1968, mas o iê­iê­iê teria ainda alguns anos de vida. A dupla Leno e Lilian voltaria em 1972, e em seu terceiro álbum gravaria duas músicas do ainda Raulzito, Deus É Quem Sabe e Objeto Voador, que comunga de estranha semelhança com um sucesso dos Byrds, inclusive refrões idênticos: "Ô, Ô amigo do disco voador/ me leve com você/ pra onde você for", diz a letra da música de Raul. "Ô homem do espaço/ por que não me leva para passear com você" é o refrão dos Byrds numa versão literal. Objeto Voador seria regravada, cm algumas modificações como título de S.O.S. e Orange Juice (em inglês).

Foi com Leno que Raul começou a fazer a música diferente que pretendia, que renderia dois álbuns pouco conhecidos. Vida e obra de Johnny McCartney, de Leno (com participação e parceiras com Raulzito), proibido pela censura em 1970, relançado em 1995. E a compilação que Leno fez de suas parcerias com o roqueiro baiano no pouco conhecido CD Canções com Raulzito (2010).






Fonte:jconli.net10.uol.com.br

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