fevereiro 14, 2013

Jerry Adriani: 'O ponta de lança da Jovem Guarda'


Testemunha do início do iê-iê-iê e responsável pelas primeiras viagens de Raul Seixas, Jerry Adriani é a atração principal da Quadra Cultural, evento que acontece no próximo sábado em Curitiba

Na primeira vez em que esteve em Curitiba, Jerry Adriani deu uma de penetra. Com o amigo Erasmo Carlos, também piá, entrou sem convite no show de Ângela Maria, verdadeira festa de arromba lá no início dos anos 1960. “Disse que eu era eu, e aí o segurança perguntou ‘quem?’. Por sorte a Ângela vinha chegando e viu a gente na porta.” A dupla que ajudava a dar início à Jovem Guarda não era muito conhecida, como lembra Jerry. Mas bastaram alguns shows com Os Rebeldes, grupo do qual se tornou crooner em 1962, e o lançamento de Italianíssimo, seu primeiro disco, em 1964, para que houvesse “uma impressionante aglomeração de gente” em suas apresentações seguintes, inclusive naquela de 1965, em um clube bem frequentado da capital. “Foi um estouro”.

Aos 66 anos e beirando os 40 discos, Jerry Adriani retorna a Curitiba no próximo sábado. Ele é a atração principal da 5.ª edição da Quadra Cultural, que também leva às ruas Paula Gomes e Duque de Caxias, no São Francisco, as atrações MUV e Michele Mara, Annie & The Malagueta Boys, A Banda Mais Bonita da Cidade, Banda Gentileza e Toninho Catarinense.

Idealizado por Arlindo Ventura, proprietário d’O Torto Bar, a Quadra deste ano mantém a boa tradição de resgatar artistas importantes, mas já empoeirados da música brasileira – em outras edições deram o ar da graça As Irmãs Galvão, Germano Mathias, Odair José e Dona Ivone Lara.

Eterno crooner e ator eventual, Jerry Adriani esteve no meio do pessoal supimpa responsável por dar forma à Jovem Guarda, ao mesmo tempo em que fez das interpretações de canções italianas seu abre-alas. Eclético, viveu o tempo dos musicais na tevê, regravou Elvis e George Harrison e lançou, em 2012, um disco com mensagens religiosas chamado Família. “Eu tô em tudo. Na música italiana, no rock. Minha carreira é muito variada e dentro dela vou incluindo coisas. Tive até uma fase operística. Adoro Bach”, diz o paulistano, conhecido pela interpretação de “Doce, Doce, Amor”, música certa no show em Curitiba. “Não adianta querer inventar. Tem que cantar o que o público quer ouvir.” Só não o chamem de brega. “Brega é o Odair José, o Amado Batista. Nós, da Jovem Guarda, fomos para um outro lado, um lado mais pop.”

Tocou Raul

Qual um enredo de Paulo Coelho, o destino deu as caras para Jerry Adriani no final da década de 1960, em um show em Salvador. A banda que iria acompanhar o cantor sumiu. E então, Jerry fez um sinal para que um rapaz magro e barbudo de nome Raul subisse ao palco. “Raulzito e os Panteras foi minha primeira banda de apoio”, gaba-se Jerry.

O paulista levou o baiano ao Rio de Janeiro e, algum tempo depois, Raul Seixas tornou-se produtor de Jerry Adriani na CBS. “Ele era muito inteligente, um pensador. Raul via tudo de forma diferente, mas era inadaptado àquela época. Raul era triste. Só era feliz quando estava no palco”, diz Jerry, que ficou fulo da vida quando soube que nada de seu depoimento de mais de seis horas havia entrado no documentário Raul Seixas: o Início, o Fim e o Meio, de Walter Carvalho e Evaldo Mocarzel.

Em casa, Jerry Adriani gosta de ouvir discos de Tears for Fears, Phil Collins, Ray Charles e Andrea Bocelli. Vê shows na tevê e no YouTube. Mas acha que ainda falta oportunidade para “muita gente boa que está por aí”, talvez outros meninos barbudos com um violão a tiracolo. “De 500 mil artistas que são lançados, aparece um. É difícil. Como diz Djavan, é como morrer de sede em frente ao mar.”


Serviço
Quadra Cultural. R. Paula Gomes, 354, em frente ao bar d’O Torto Bar. Dia 16, a partir das 11 horas. Programação: às 11h – Espetáculo infantil A Casa dos Contadores de Histórias, da Cia. dos Ventos. Às 12h – Toninho Catarinense. Às 14h – Banda Gentileza. Às 15h – MUV e Michele Mara. Às 17h – A Banda Mais Bonita da Cidade. Às 18h – Annie & The Malagueta Boys. Às 20h – Jerry Adriani. Entrada franca.








Fonte: Gazeta do Povo

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