fevereiro 01, 2013

'Who's Who',era o Google antes da internet

Sigmund Freud

Pode não parecer, mas existiu um tempo antes do Google. E, nesse tempo, a forma mais rápida de obter informações sobre pessoas importantes, famosas ou ambos era consultar um livro feito de papel e impresso a tinta na Inglaterra, o Who’s Who (“quem é quem”, expressão que extrapolou suas origens). Publicado em versão limitada a membros da nobreza e do serviço público britânico desde 1849, o primeiro anuário ampliado, abarcando figurões da cultura, da política e das ciências, circulou em 1897 e foi sucesso instantâneo. Estava inaugurado um fenômeno que alcançaria proporções impensáveis: o fascínio pela celebridade.

Na primeira metade do século XX, figurar no Who’s Who se tornou motivo de grande prestígio, e todos cobiçavam uma citação - mais ou menos como, hoje em dia, fazer parte das listas de mais ricos, mais poderosos, mais influentes, só que com muito mais critério. Tamanha era a honra que gente como o inventor da psicanálise, Sigmund Freud, o cantor e ator Frank Sinatra e o escritor Ernest Hemingway, entre outros, gastaram seu precioso tempo preenchendo, a mão ou a máquina, um formulário com suas informações pessoais.

Transposto para os dias atuais, o conjunto de fichas ganha um valor incalculável, ao entreabrir uma fresta do passado e expor os autores, cientistas, políticos, artistas e magnatas que fizeram a história do século XX num momento em que muitos nem sequer tinham nítida noção de sua relevância. Afinal, ser importante era estar no Who’s Who.





Fonte: Marcelo Bortoloti - Veja

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