março 14, 2013

Quando as novelas eram no rádio:'Jerônimo, o herói do sertão'


Ultimamente, tenho pensado muito, tentando descobrir o motivo que as pessoas de hoje não são mais tão criativas quanto as de ontem, e penso que cheguei a uma primeira conclusão: o mundo está muito mais repleto de imagens do que antigamente e, como sabemos, uma imagem retira de nós qualquer possibilidade de imaginarmos o que quer que seja, a partir de um texto escrito ou falado, como ocorria nos tempos em que não existiam nem TV e nem computadores.


Eu me lembro dos meus dez, onze anos, por volta das dezoito horas, todas as tardes, infalivelmente, já com banho tomado, me sentava à beira do rádio para ouvir, na Rádio Nacional, as novelas do Jerônimo e do Anjo.

Os mais novos não vão reconhecer a voz do narrador, mas ela é do grande Mario Lago (advogado, poeta, radialista, letrista e ator brasileiro) . Era assim que nossos avós e pais de divertiam na década de 50 do século passado. As histórias Jerônimo, o Herói do Sertão foram criadas em 1953 por Moysés Weltman para a Rádio Nacional, e foram influenciadas, como tudo naquela época, pelos  americanos. A rádio novela ficou 14 anos no ar.


As histórias de Jerônimo também foram lançadas em 1957 em quadrinhos pela Rio Gráfica e Editora, com desenhos de Edmundo Rodrigues.


Para informação dos jovens de hoje, "Jerônimo, o herói do sertão", era um seriado criado por Moisés Weltman, esteve no ar por 14 anos, e começou em 1952, com personagens bem brasileiros que percorriam os sertões envolvendo-se em aventuras perigosas na luta contra os Coronéis. Jerônimo (Milton Rangel) era auxiliado pelo Moleque Saci (Cauê Filho), e amava Aninha, neta do Coronel Saturnino Bragança, seu inimigo mortal.

A partir do ano de 1948, havia, também, a novela "O Anjo", criada por Álvaro Aguiar, que interpretava o Anjo, personagem principal, e que contava a história de um milionário desvendando crimes em episódios de dez minutos. "O Anjo" ficou no ar por quase dezenove anos.

Mas, voltando ao Jerônimo, logo na abertura, eu acompanhava cantando a música tema: "Quem passar pelo sertão / vai ouvir alguém falar / do herói dessa canção / que eu venho aqui cantar / se é por bem vai encontrar / o Jerônimo protetor / se é por mal vai enfrentar / o Jerônimo lutador".

E os versos simples continuavam a contar a história daquele herói brasileiro, temido e tirado do ar pelo regime militar entre 1964 e 1968: "Filho de Maria Homem nasceu / Serro Bravo foi seu berço natal / entre tiros e tocais cresceu / hoje luta pelo bem contra o mal / galopando vai em todo lugar / pelo pobre a lutar sem temer / o Moleque Saci pra ajudar / ele faz qualquer valente tremer".

E, na minha fértil imaginação de criança, eu via esse herói, eu andava pelos sertões montado no meu cavalo ao lado do dele, eu andava pelas ruas de Serro Bravo, tinha muito medo e raiva do Coronel Saturnino Bragança e amava, sem que Jerônimo desconfiasse, é claro, uma linda Aninha que se parecia, não sei por que, com a Branca de Neve, do filme do Disney. E essa sim, eu havia visto no cinema: eu transformava sons em "minhas" imagens, eu era livre para criar o "meu" universo virtual.

E era tamanha a realidade da minha criação, e tão grandes eram os detalhes dela, que, do mesmo tamanho, foi a minha decepção, quando, certo dia, vi, nas bancas, revistas em quadrinhos desses meus heróis: aquele da capa não era Jerônimo, não era o Anjo, ou pelo menos, não eram o Jerônimo e o Anjo que eu havia imaginado.

Eu acredito que um dos combustíveis para a criatividade é a imaginação, que nos possibilita trabalhar e combinar idéias e fatos conhecidos e gerar, assim, novas idéias. A imaginação permite a criação de idéias abstratas e está associada intimamente à capacidade de criação. Pessoas criativas têm níveis de consciência e atenção maior do que as demais, o que dá a elas uma sensibilidade mais elevada e uma disposição de enxergarem novas possibilidades e relações entre as coisas.








Fonte: Informações Telehistória


Um comentário:

  1. Faz tempo que estava procurando algo do gênero, mas é dificil, ninguém tem nem lembra eu acho, eu como vc também cresci ouvindo os seriados do Jeronimo, eu ficava imaginando , o sertão, as pradarias, as montanhas por onde ele passava,nossa..!!!! como a imaginação era fértil e as novelas na radio São Paulo, ouvia quase todas, era uma vida ou foi uma vida muito dificil a minha, éramos muito pobres, mas éramos felizes e não tínhamos essa concepção, Obrigado por me proporcionar esse retorno ao passado tão distante...

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