março 01, 2013

Sambista, Teresa Cristina canta Roberto Carlos no Cine Joia SP; leia entrevista


Ícone do samba, a carioca, que completou 45 anos ontem e é fortemente ligada ao Carnaval --integra a escola de samba Portela e costuma comentar o evento na TV--, apresenta na sexta (dia 1º), no Cine Joia (centro de São Paulo), releituras de clássicos de Roberto Carlos que elaborou com a banda Os Outros.

O show começa às 22h e os ingressos, de R$ 40 a R$ 60 (meia-entrada: R$ 20 a R$ 30), estão à venda pelo site www.cinejoia.tv/ingressos.

O projeto com o grupo carioca surgiu casualmente: "Fui convidada para participar do show da banda Os Outros, e aí, meio brincando, falei que se fosse para cantar rock, só se fosse Roberto. Eles levaram a brincadeira a sério."

A estreia aconteceu em abril de 2011, no Rio de Janeiro, e o resultado propulsionou o registro do disco. "Foi muito emocionante, a casa lotada, deu tudo certo. Ficamos bobões, que nem quando minha filha faz um negócio legal no colégio e quero mostrar para todo mundo."

Sem premeditação, o repertório foca a produção de Roberto nos anos 1960 e 70, principalmente as parcerias com Erasmo Carlos, como "À Janela".

Perguntada sobre a dificuldade para se adaptar a uma banda roqueira, Teresa se diverte: "Sabia que eu achei que fosse ser mais difícil? Porque com o samba eu tenho o surdo, que é o meu chão. E no rock? Quem será? O baixo? A bateria? Deu um paniquinho antes do primeiro show, mas abrir a boca e cantar foi natural."

Uma vez na pele do "rei", Teresa Cristina vai além das letras e melodias. "Se jogo flores para o público? Sempre! Imagina que vou perder essa oportunidade?! De jeito nenhum, adoro! [risos] Roberto e Erasmo têm clima de 'o amor está no ar'. E do jeito que as coisas estão caminhando, falar de amor é um ato muito corajoso."

Leia, a seguir, a conversa com a cantora:

Quando e como você teve a ideia de fazer um disco com músicas de Roberto Carlos?

Teresa Cristina - No ano retrasado fui convidada para participar do show da banda Os Outros, um projeto chamado Os Outros Convida, e aí meio brincando falei que se fosse para cantar com uma banda de rock, só se fosse repertório do Roberto. Eles levaram a brincadeira a sério. Fiz com eles "Do Outro Lado da Cidade". Deu super certo, a gente gostou à beça. Depois falei "Então agora vamos fazer um show só com isso!". Sabe quando termina o show e está todo mundo empolgado? Começamos a ensaiar, separei um repertório de músicas que eu já sabia cantar, para não dar muito trabalho e eles também escolheram as que eles gostam.

Uma vez fui no show da Karina Buhr, encontrei com a Leandra Leal e falei para ela que estávamos ensaiando músicas do Roberto. Ela se empolgou e levou o show para o [Teatro] Rival em abril de 2011. E foi muito legal, fiquei muito feliz por saber cantar as músicas e por ser acompanhada de uma banda de rock. Foi muito emocionante, a casa lotada, deu tudo certo. Depois disso ficamos bobões, que nem quando minha filha faz um negócio legal no colégio e fico querendo mostrar para todo mundo.

Pensamos em gravar um DVD e mostrei o show pro Guto Graça Melo, que era produtor do programa do Roberto. Ele achou que valia a pena pedir a liberação dessas músicas. Esperamos um tempo, uns oito meses, até que ele liberou. Para mim foi como receber um presente de Natal. Não é um projeto para a vida toda, é um momento, o que faz disso algo muito especial, algo que eu quero guardar com carinho. A melhor maneira de guardar foi gravar esse disco. Agora vamos lançar no Cine Joia e depois no Rio de Janeiro e em outros Estados.

O seu currículo faria pensar em versões sambistas das músicas do Roberto, mas você preferiu abordá-las em moldes bem roqueiros. Por quê?

Ninguém merecia pegar uma música do Roberto e transformar em ritmo de samba... Eu não gosto. Acho que quem gosta do Roberto não ia gostar, quem gosta de samba não ia gostar, ninguém ia gostar! Nem eu! [risos] Se é pra cantar o que ele já gravou muito bem, tinha que ser uma onda nossa.

Depois eu percebi que o repertório focava os anos 1960 e 70, uma época em que eu ouvia bastante Roberto. Tem músicas ali que são para uma vida inteira, como "A Janela", "O Portão", "Do Outro Lado da Cidade". Elas faziam parte do meu iPod natural há muito tempo. E é um prazer cantá-las. E quase tudo são parcerias do Roberto com o Erasmo Carlos. Foi uma descoberta para mim sobre aquilo de que gosto no Roberto.

Você teve dificuldades em ajustar sua voz e sua musicalidade aos limites de uma banda de rock?

Sabia que eu achei que fosse ser mais difícil? Porque com o samba eu tenho o surdo, que é o meu chão. E no rock? Quem será? O baixo? A bateria? Deu um paniquinho antes do primeiro show. Depois deu certo, por mais que eu não tivesse cantado essas músicas para outras pessoas, para mim eu já tinha cantado. No chuveiro, em casa, na rua. São muito familiares para mim. Abrir a boca e cantar foi natural. Uma diferença é que o rock me consome mais do que o samba. Termino o show e parece que cantei seis horas.

Como tem sido a reação das pessoas ao vivo ao ver a Teresa Cristina cantando Roberto Carlos roqueiro?

Eu não sou muito de encarar o público, mas sinto que as pessoas gostam. É dançante e é um lugar que estamos acostumados a frequentar. O Roberto entra na nossa casa há muito tempo. O que percebo é que consigo propagar esse amor que ele cultiva em suas letras, que é tão precioso. Esse mundo Roberto/Erasmo é de uma natureza amorosa. Saio de todo show do Erasmo com uma capacidade de amar renovada. Amor em geral.

Você acha que está atraindo novos fãs ou levando os antigos a ver algo diferente?

Acho que é uma mistura de novas pessoas e de gente que já conhecia meu trabalho. Continuo trabalhando no samba, cantando e compondo. Esse ano eu quero gravar um disco com as músicas do Candeia. Mas Quero curtir esse momento.

Na sua juventude você gostava de outras atrações roqueiras?

Com 16 anos eu gostava de heavy metal, aliás, gosto muito de Iron Maiden até hoje. Quando eles fizeram aquele show no [estádio] Parque Antártica eu saí do Rio para assistir. E fiquei até com um pouco de medo de não gostar mais, mas foi incrível. Van Halen eu gosto muito. Das músicas, da linha melódica, do Dave Lee Roth, que agora voltou. Estou torcendo para eles virem ao Brasil, não vou perder por nada! [risos] É uma das bandas que eu mais gosto no geral. Tenho muita simpatia também pelo The Cure, que vem em abril, gostaria muito de ver o Robert Smith de perto.

Você já teve contato pessoal com o Roberto?

Não... Nem procurei... Porque sei lá, ele foi tão bacana em liberar as músicas. Eu me senti tão contemplada e especial... Deixa ele quieto, né? [risos] Ele é uma pessoa tão reservada. Fico meio com vergonha, meio cabreira de atrapalhar. Não quero abusar dele mais não! Se um dia eu me encontrar com ele vai ser bem especial, mas se não acontecer não vai me frustar.

O que mais você adotou de Roberto? 

Vai dar flores para a plateia?

Sempre! Imagina que vou perder essa oportunidade?! De jeito nenhum, adoro! [risos] Essa coisa de Roberto e Erasmo tem muito o clima de "o amor está no ar". E não é com deboche ou breguice, é só amor, um sentimento bom. Do jeito que as coisas estão caminhando, o mundo, as pessoas, essa pós-modernidade que já não sei muito bem o que é, falar de amor é um ato muito corajoso. E o gesto de dar a flor embeleza quem está recebendo e quem está dando. Me faz bem.

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