dezembro 07, 2012

Saudosa Helena Dos Santos, a compositora de sucessos de Roberto Carlos


No primeiro álbum “rock” de Roberto Carlos, em 1963, Helena dos Santos já estava presente com a rara ‘Na Lua Não Há’. No ano seguinte, em ‘É Proibido Fumar’, lá estava ela novamente, desta vez com a canção ‘Meu Grande Bem’. Em 1965, o LP ‘Roberto Carlos Canta Para a Juventude’ trazia ‘Como é Bom Saber’. E em ‘Jovem Guarda’, Roberto gravava outro clássico de sua autoria, e seu maior sucesso, ‘Sorrindo Para Mim’.

Maria Helena Dos Santos Oliveira nasceu em Conselheiro Lafaiete-MG, em 1927. Seu marido, antes de morrer, havia ensinado a ela a forma de composição, o trabalho com rimas... Depois da morte do marido, na mais profunda miséria, com muitos filhos para criar (e com um na barriga) a costureira / lavadeira / doméstica começou a fazer músicas. Levava as composições para rádios, como a Rádio Globo, atrás de alguém que pudesse gravá-las, recebendo um não atrás do outro.

Até que, um dia, Helena viu a cantora Rogéria, e aproximou-se dela, mostrando uma canção que tinha acabado de fazer: Na Lua Não Há. Rogéria ouviu, e gostou, mas pediu desculpas, por não gravar aquele tipo de música. Segundo ela, havia um rapaz novinho e bastante atencioso, que gravava aquele estilo, e estava procurando músicas para seu novo LP. O rapazinho chamava-se Roberto Carlos.


Helena, então, procurou o tal Roberto Carlos, e encontrou-o nos bastidores da Rádio Globo. Muitas meninas correram para falar com ele, e Helena foi junto, dizendo: "Roberto... quando você tiver um tempinho, é possível atender a uma senhora?". Roberto respondeu: "Claro que posso, onde está ela?". Helena não conseguiu dizer mais nada, e, com o silêncio, Roberto tomou a palavra: "diga à senhora que me aguarde, pois falarei com ela em pouco tempo, ok?". Helena saiu e sentou-se, à espera do futuro Rei.

Quando chegou Roberto Carlos, Helena explicou "a senhora sou eu, Roberto", e ele riu muito com a confusão. Ela falou que tinha feito uma música chamada Na Lua Não Há, que falava de alguém que estava atrás de um broto na lua, mas que não queria um broto esquisito. "É bacana esse tema. Muito bom mesmo! Cante.. . quero ouvir a melodia.", disse Robert Carlos.



Cantei baixinho. Ele teve que chegar o ouvido bem perto, para escutar. Quando terminei, pediu para repetir. Cantei outra vez e, enquanto eu cantava, Roberto estalava os dedos, acompanhando. Na terceira vez, cantou toda a música junto comigo. No fim, levantou-se, entusiasmado: - É muito legal, Helena.Segundo a própria Helena dos Santos, no seu livro Eu e o Rei, publicado nos anos 70.



Na mesma hora, Roberto planejou um arranjo para gravar a composição, deixando Helena muito emocionada. Tão emocionada, que começou a passar mal. Ele, preocupado, falava com ela, procurando saber o que estava acontecendo, e ela começou a contar a história de sua vida, cheia de dificuldades e problemas financeiros. Roberto ouviu tudo, atentamente, e se ofereceu para ajudar a nova amiga em tudo que ela precisasse, e que estivesse ao seu alcance, inclusive financeiramente, como o fez naquele dia, e em muitas outras ocasiões.



Ao chegar em casa, "Leninha", como era chamada por Roberto Carlos, contou para as filhas que havia estado com o cantor, e elas ficaram muito entusiasmadas, querendo saber como havia sido o encontro, o que ele tinha dito, o que eles combinaram. Mal sabiam eles que aquele era o início de uma grande amizade.



Após algum tempo, Roberto disse que a gravadora lançaria um compacto, e que a canção Na Lua Não Há não poderia estar presente. Mas RC prometeu para aquela senhora que, no seu próximo LP, a música estaria, com certeza.

Contudo, depois desse primeiro contato, Helena decidiu afastar-se das rádios, e cuidar da sua gravidez, que já andava pelo sétimo mês. Helena teve o filho, e ficou cuidando dele durante cerca de 6 meses, até que um dia, uma amiga, conversando com ela, disse: "ô, você não é Helena dos Santos? O radialista Luís de Carvalho pede, todos os dias, que Helena dos Santos vá à radio com urgência".

O coração de Helena acelerou. Só podia ser a música. E ela foi até lá. Falou com Luís de Carvalho, que avisou que Roberto estava querendo lançar o disco novo e nunca o fizera, esperando que a compositora aparecesse, para autorizar o lançamento de sua música. Além disso, informou que ele estava muito zangado com isso. Ela, preocupada, pegou o endereço de Roberto, e foi visitá-lo. Ao chegar lá, foi recebida por Dona Laura, que a tratou muito bem, e disse que esperasse, pois seu caçula não estava em casa.

Quando ele chegou, falou com a mãe, e virou pra Helena, dizendo: "Onde foi que a senhora se meteu?" Roberto, bastante irritado. Dona Laura, constrangida, tentando acalmar o filho. Helena, triste, com o sentimento de culpa.

Roberto falou, irritado, mas depois ficou tudo bem, e lançaram o disco com a canção Na Lua Não Há. Dali pra frente, só amizade.

Sempre que via Helena, Roberto Carlos perguntava pelos filhos dela, dava dinheiro, quando ela precisava, e todo o apoio sempre. A compositora contou, certa vez, que Roberto encontrava com as filhas dela na rua, e levava de volta pra casa, dizendo "olha quem eu encontrei na farra..."

Em novembro de 1963, Roberto Carlos visitou Helena dos Santos, no pequeno bairro onde ela morava, o Horto Florestal. Ela organizou uma festa num campo de futebol para recebê-lo, pois sua casa era muito pequena para a multidão que queria ver o cantor do Parei Na Contramão. Além disso, em abril de 1964, Helena organizou, também no seu bairro, uma missa, pelo aniversário de nosso cantor, e ele também esteve presente. E assim foi durante toda a década de 1960: Roberto pedia, Helena escrevia...

-Eu queria encontrar uma forma de agradecer sua atenção e deixar marcada minha gratidão por ele e por tudo o que fez por mim. Queria também mostrar, a todos os que o conhecem apenas como artista, a pessoa maravilhosa que ele é, o lado humano que o sucesso não mostra. Quando contei que ia escrever um livro sobre ele, Roberto falou:

- Deixa disso, Leninha, não vale a pena.

-Mas quando expliquei que seria um livro sobre mim e a nossa amizade, achou a idéia maravilhosa.

Helena, inclusive, nunca mandou músicas para outros cantores. Sempre, suas canções eram gravadas pelo Rei. Em 1969, por exemplo, Roberto começou a viajar para vários países, como Israel e Japão, para gravar seu novo longa-metragem: Roberto Carlos E O Diamante Cor De Rosa. E era de lá que ele vinha, quando encontrou Helena aqui no Brasil. Contou pra ela suas aventuras nos países do Oriente, e como andavam as gravações.

Às 4 horas da tarde, Roberto disse a ela que queria uma nova música, que nascesse de uma carta, falando de alguém que morasse do outro lado da cidade, e que amava alguém do lado de cá, em segredo. Helena entrou em estado de pânico. Não por causa do tema, mas por causa do tempo que tinha pra fazer a música: 2 horas. Roberto queria a música pronta às 6.

"Ah, Leninha, você é capaz, vai lá." Resultado: a música ficou pronta, e é um sucesso até hoje: Do Outro Lado Da Cidade.

Nos anos 70, Helena continuou enviando músicas para o Rei, e escreveu um livro, que foi publicado pela Revista Contigo. Trata-se de Eu E O Rei, já citado nesta matéria. Ali, ela conta muitas de suas aventuras com Roberto Carlos.

Helena faleceu no dia 23 de outubro de 2005.

Abaixo, a lista das canções compostas por ela e gravadas por Roberto Carlos, em ordem cronológica.

1963 · Na lua não há
1964 · Meu grande bem
1965 · Como é bom saber
1965 · Sorrindo para mim
1966 · Esperando você
1967 · Fiquei tão triste
1968 · Nem mesmo você
1969 · Do outro lado da cidade
1970 · O astronauta (parceira com Edson Ribeiro)
1972 · Agora eu sei (parceira com Edson Ribeiro)
1982 · Recordações (parceria com Edson Ribeiro)











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