julho 29, 2013

Passou o tempo mas a gente ainda lembra...

Passou o tempo do Onça; passou o tempo de chamar máquina de geringonça; passou o tempo de amarrar cachorro com linguiça; passou o tempo do almanaque Tico-Tico; passou o tempo da revista Cruzeiro; passou o tempo da revista Manchete; passou o tempo da caneta tinteiro; passou o tempo de separar o joio do trigo; passou o tempo de limpar assoalho com escovão; passou o tempo de lustrar assoalho com cera Parquetina; passou o tempo de usar caneta tinteiro; passou o tempo de ver vigarista na cadeia; passou o tempo de viajar pela Cruzeiro; passou o tempo de voar pela Real; passou o tempo de passear em avião da Panam; passou o tempo de tomar Cafiaspirina; passou o tempo de comprar Rum Creosotado; passou o tempo de morrer de bronquite; passou o tempo de curar doença venérea com Penicilina; passou o tempo dos contos da carochinha; passou o tempo em que adultério era crime; passou o tempo de busca-pé em festa junina; passou o tempo do Xarope São João; passou o tempo em que menino só gostava de menina; passou o tempo do lança-perfume; passou o tempo do confete; passou o tempo da serpentina; passou o tempo de sossegar o facho; passou o tempo de botar banca; passou o tempo do telefone preto; passou o tempo da geladeira branca; passou o tempo do calouro na hora da peneira; passou o tempo de calça boca de sino; passou o tempo de calça com boca apertada; passou o tempo de terno risca de giz;  passou o tempo do Gumex; passou o tempo de groselha;  passou o tempo de usar laquê; passou o tempo de tomar óleo de fígado de bacalhau; passou o tempo de ir na matinê para dar um amasso; passou o tempo de pedir o carro emprestado; passou o tempo de fumar cigarro sem filtro; passou o tempo de flertar;passou o tempo da calça de tergal; passou o tempo da blusa de ban-lon; passou o tempo da alpargatas roda; passou o tempo de sapato com bico de matar barata no canto da parede; passou o tempo da calça Tremendão; passou o tempo da botinha com fecho éclair; passou o tempo do sagu; passou o tempo da câmara Rolleiflex; passou o tempo do telefone sem disco (e sem teclas); passou o tempo da máquina de escrever; passou o tempo da régua de calcular; passou o tempo em que cachorro não comia ração; passou o tempo em que Perventin deixava estudante acordado; passou o tempo em que estrogonofe era só picadinho; passou o tempo em que mensalidade de faculdade custava um salário mínimo; passou o tempo em que não se mordia hóstia com medo de sangrar a boca; passou o tempo em que laxante era purgante; passou o tempo de passear sem medo de bala perdida; passou o tempo de filho voltar tarde e pai não se preocupar; passou o tempo em que só mulher usava brinco; passou o tempo em que só adulto usava calça comprida; passou o tempo em que bermuda era calça curta; passou o tempo em que só criança usava calça curta; passou o tempo em que suspensório era mais barato que cinta; passou o tempo em que manteiga era mais cara que margarina; passou o tempo em que vinco de calça era costurado; passou o tempo em que calça jeans era calça rancheira; passou o tempo do sapato Passo Doble; passou o tempo do pó de pirlimpimpim; passou o tempo de tomar benção; passou o tempo de casar virgem; passou o tempo de costurar meia em ovo de madeira; passou o tempo de usar cueca de cambraia; passou o tempo de camisa ter abotoadura; passou o tempo de temperar churrasco em barril; passou o tempo de assar churrasco em espeto de bambu; passou o tempo de destrinchar frango; passou o tempo em que combinação era roupa íntima feminina; passou o tempo de carro com câmbio na coluna; passou o tempo de fazer nó em gravata borboleta; passou o tempo de quarar roupa no quintal; passou o tempo do comigo-ninguém-pode; passou o tempo em que ficar era só permanecer; passou o tempo em que legal era só termo jurídico; passou o tempo em que a gente chamava pai de senhor; passou o tempo da brilhantina Glostora; passou o tempo do drops Dulcora; passou o tempo da bala Toffe;  passou o tempo da Cibalena; passou o tempo de tomar uísque Drury’s; passou o tempo de fazer caipirinha com caninha Tatuzinho; passou o tempo de tomar banho com Eucalol; passou o tempo de velório em casa;  passou o tempo de andar de Romi-Isetta; passou o tempo de dormir em colchão Epeda; passou o tempo de andar em carrinho de rolimãs;  passou o tempo do bálsamo de Benguê; passou o tempo do cigarro Macedônia; passou o tempo do cigarro Luís XV; passou o tempo da luz da Light; passou o tempo de tomar Caracu com ovo; passou o tempo de ouvir jogo de futebol em um rádio Spika; passou o tempo de mandar consertar a televisão Telefunken; passou o tempo de lembrar do cheiro do querosene queimando em um lampião; passou o tempo de colecionar bonecas Moranguinho; passou o tempo dos campeonatos de futebol de botão; passou o tempo de colecionar o álbum de figurinhas do Seninha; passou o tempo de tomar Seven-Up; passou o tempo de não saber onde guardar o brinquedo Forte Apache; passou o tempo de ferver o leite.

Passou o tempo, mas quem viveu esse tempo lembra e sente saudade de tudo isso...







Fonte:Chico Ornellas/ O Diário de Mogi


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