julho 09, 2013

Uma artista muito além do rótulo de “ternurinha”

jovem guarda
Associar Wanderléia somente à Jovem Guarda é uma daquelas clássicas injustiças cometidas em nome dos verbetes simplistas da MPB. O projeto Compositores.Br, que traz a cantora hoje ao Sesc Palladium, pode ajudar o público a desfazer essa única ligação.

A ideia do show é reverenciar os grandes compositores da nossa música, que têm seu repertório cantado por outros artistas. Este ano, terá seu olhar voltado para as mulheres, e começa reunindo Wanderléia em torno do repertório de Sueli Costa. “Ela é uma das maiores artistas brasileiras, gravada por toda a nata, a mulherada toda gravou”, justifica a artista, sobre a compositora, cujas canções foram gravadas por, entre outras, Elis Regina e Gal Costa.

Ela conheceu Sueli ainda nos anos 1970, quando morava em Ipanema e era visitada pela artista, que sempre mostrava suas canções. “É uma pessoa intensa, de muito sentimento, que captou o universo lírico da mulher. Este é um trabalho que faço com um envolvimento muito pessoal, são canções ligadas a coisas que vivi. Um repertório de responsa, que exige uma vivência emocional”, diz. Ela assume a missão ciente de que seu alcance artístico é enorme – e vêm de muito tempo. “Canto desde menina, já cantei jazz, blues, em banda de orquestra, chorinho com o regional de Canhoto. Quando tenho a oportunidade de diversificar e voltar ao que me trouxe para a música, é uma alegria”, revela. Assim como outros artistas pouco associados a trabalhos mais experimentais (como Ronnie Von, seu colega de geração), Wanderléia tem um histórico discográfico que merece ser redescoberto, especialmente nos anos 1970.

“Eu estava fazendo experiências, né? Já tinha plantado meu nome nacionalmente, queria fazer coisas diferenciadas, abrir meu universo musical. Foi uma fase de libertação”, contextualiza. “Me queriam como a grande vendedora de discos para a massa. Não que estivesse insatisfeita com meu sucesso com a Jovem Guarda, mas busquei trabalhos inusitados. E até hoje me cobram a continuidade disso”.

Discos. Um dos trabalhos que se destacam no período é “Maravilhosa”, de 1972, no qual gravou Hyldon, Assis Valente e lançou Jorge Mautner. Ela recentemente tocou o álbum na íntegra, no Teatro Municipal de São Paulo, em show que será transformado em DVD.

Outro destaque é o ao vivo “Feito Gente”, que, além da faixa título de autoria de Walter Franco, trazia canções de Luiz Melodia e Gilberto Gil. Também trouxe três canções assinadas por Sueli Costa, mostrando que a identificação de Wanderléia pelo trabalho da artista vem de muito tempo. “Música é entrega de alma. E Sueli é total alma, é a alma inteira. Aliás, vou cantar uma canção dela chamada ‘Alma’”.

Agenda

O QUÊ. Wanderléa e o duo Bambu e Pinho homenageiam Sueli Costa
QUANDO. Hoje, às 20h
Onde. Grande Teatro Sesc Palladium (rua Rio de Janeiro, 1.046, centro)
QUANTO. Entre R$ 40 e R$ 20







Fonte: THIAGO PEREIRA/Terra

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