julho 29, 2012

Nossa Jovem Guarda


Estamos no ano de 2012, e provavelmente no fim do ano você se juntará a sua família para assistir ao especial de Natal do Roberto Carlos na Rede Globo de Televisão (vamos supor que isso vai acontecer mesmo). Você, todo jovial e serelepe, questionará os talentos do nosso paladino do amor maior que anda em seu calhambeque (bibi), e provavelmente sofrerá retaliações com argumentações baseadas em “Roberto Carlos era o líder da Jovem Guarda, ele é demais”.


A Jovem Guarda foi um dos fenômenos mais revolucionários da história desse nosso Brasilzão verde e amarelo. Através da música, revolucionou os campos da moda e comportamento de maneira imensurável. Se o pobre autor deste texto disser que a nossa geração está vivendo isso novamente, ele será trucidado? (Tarde demais para pensar nisso; faltam 15 minutos para o texto ir pro ar e não existe outra opção).

Sim, meus amigos. O (nem tão) célebre ritmo denominado sertanejo universitário é a jovem guarda do século XXI.

Putz, o texto é sobre sertanejo. Sim, mas se você preferir pode considerar que o texto é sobre a Jovem Guarda (muito mais vintage e menos mainstream nos dias de hoje).

Pois bem, vou acabar com a magia de vocês, porque esse tal de sertanejo universitário não é sertanejo, e a jovem guarda não era rock n roll. Aliás, essa é a primeira semelhança básica que ajuda a embasar a teoria de que ambos os “estilos” são exatamente a mesma coisa: buscar um estilo completamente diferente e que não está em evidência na sociedade, tornando-o popular. Enquanto os amantes da Bossa Nova marchavam contra a guitarra elétrica nos anos 60, Roberto Carlos e seu fiel escudeiro Erasmo (cujo apelido eu me recuso a citar aqui por motivos de vergonha alheia) foram buscar exatamente a influência de um rock que fazia um sucesso absurdo no exterior através de um tal grupo The Beatles. O mais interessante de tudo isso, é que eles não tocavam nem cantavam rock.

Os sucessos mais populares no Brasil hoje em dia são populares porque adaptaram a cultura do sertanejo de raíz a um estilo muito (MUITO) mais aceito socialmente. Um estilo depreciado e representado por músicas como Boate Azul e o DVD do Amigos e estigmazado de música de corno foi adaptado para cantar o que o povo fala por aí, num ritmo que não chega nem perto do verdadeiro sertanejo. Ambos os movimentos tiveram força para a criação e disseminação de bordões populares extraídos das composições com sentido e propósito duvidoso.

Por se tratar de uma cultura emergente, quem é adepto do estilo fatalmente adota seus principais ícones como inspiração. Em outras palavras: desde que falaram que o Michel Teló canta sertanejo, camisa xadrez deixou de ser privilégio dos hipsters. A influência plena na moda é mais uma característica cultural importante que aproxima os dois estilos (ou você acha que seu pai não queria ter uma jaqueta de couro?).

Enfim, entre um Ai, se eu te pego e algumas Curvas da estrada de Santos, o que mais interessa aqui é a venda. Tudo é mercado. Você não deve se sentir culturalmente ofendido pelo sucesso das músicas, bordões e camisas xadrez que vem e vão pelas casas sertanejas presentes nos maiores centros urbanos do país. A fórmula mágica da jovem guarda volta no século XXI para pegar todo mundo de novo, e a questão que fica é: quem será o responsável pelos especiais da globo no futuro: Michel Teló ou Gustavo Lima?






Fonte:Pedro Farci - http://www.cafeeanalgesicos.com.br

0 comentários:

Postar um comentário

Obrigado por nos dar o prazer da sua visita.
Seu comentario será publicado depois de moderado.

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

 
Design by Free WordPress Themes | Bloggerized by Lasantha - Premium Blogger Themes | Blogger Templates