janeiro 24, 2013

Porque a Jovem Guarda ainda tem tantos fãs fiéis




A juventude brasileira dos anos 60 se dividia, a grosso modo, em duas: a mais intelectualizada, que assistia a programas como O Fino da Bossa (de Elis Regina e Jair Rodrigues, na TV Record) e não perdia um festival da canção.

Mas havia uma outra platéia – bem mais numerosa, das camadas populares – que consumia os discos e programas daqueles jovens que tocavam à sua maneira um roquinho básico ao modo de Beatles, Rolling Stones, Beach Boys e outros. Era a jovem guarda, que passou a ser uma marca e não apenas o nome de um programa apresentado entre 1965 e 68 por Wanderléa, Roberto e Erasmo Carlos. Apesar de um som que em muitos casos era precário e com os anos ficou datado, a jovem guarda angariou fãs tão fiéis que sustentam até hoje seus artistas, independentemente de eles terem discos novos lançados ou de contarem com a grande mídia a seu lado.


Qualidade
A qualidade dos artistas da jovem guarda varia muito de acordo com a qualidade dos estúdios que gravaram, dos instrumentos a que tinham acesso e dos produtores que cada um teve para registrar seus discos. "Muitos discos eram subproduzidos, gravados em estúdios ruins, com instrumentos pobres, já que a maioria dos músicos não tinha acesso aos importados. Por último os produtores eram velhos homens de estúdio, que apitavam sobre o que estava sendo feito, sem a menor intimidade com o gênero que estavam gravando",

Não raro, era possível ver uma orquestra tradicional como a do maestro Astor gravando com um grupo de garotos, como aconteceu no disco do The Snakes – a banda pioneira integrada por Erasmo Carlos. "Era uma mistura difícil de dar certo".



Foi um movimento de mercado que revolucionou a indústria do disco no Brasil. Ali se desenvolveram os LPs de alta fidelidade e os compactos. Além disso, o jovem ganhou uma música específica para o seu consumo. Foi o primeiro boom de vendas nacional, como a beatlemania e a invasão do rock britânico nos Estados Unidos. Vale dizer que os artistas da jovem guarda aqui venderam mais que os próprios Beatles",

Outra surpresa é constatar que vários artistas que hoje tomaram novos rumos na MPB começaram em grupinhos da jovem guarda. É o caso do produtor Liminha, dos cantores Zé Ramalho, Vinícius Cantuária e Dudu França (do hit Grilo na Cuca) e dos executivos Miguel Plopschi, Max Pierre, Marcos Maynard (presidente da Abril Music) e outros – muitos dos quais estarão reunidos no evento Rock’n’roll Celebration 2000 que ocorre no Esporte Clube Pinheiros (SP). Nele, acontece a reunião das formações originais dos grupos Watt 69, Kompha, Sunday (que tem nos teclados o diretor da Som Livre, Hélio Costa Manso), Lee Jackson (que tem Maynard nos teclados) e Memphis (cujo vocalista é Dudu). O show será gravado em CD, VHS e DVD. "Muitos grupos foram engolidos pelo sistema", conta Marcelo. "Tanto que os Fevers e o Renato e Seus Blue Caps foram os únicos que continuaram após o final da jovem guarda.

Finalmente, a pergunta que fica no ar é por que a jovem guarda ainda tem tantos fãs fiéis? "Ela sempre foi forte, sempre vendeu muito mais disco que a bossa nova e a MPB em geral. Se você for visitar seus artistas, vai ver que está todo mundo bem. Todos têm carro bonito, boas casas, mesmo sem ter disco na praça. Eles souberam cultivar seu público e não dependem de crítica, de matérias em jornais, enfim, não dependem da mídia da Zona Sul carioca. A imprensa pode não dar valor mas o público dá. Eles vivem de fazer shows. O Renato Barros, do Renato e Seus Blue Caps, por exemplo, não tem disco novo na praça e recebe royalties baixos dos relançamentos em CD dos velhos vinis, mas faz shows de quarta-feira a domingo no Brasil inteiro".







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