janeiro 10, 2013

A Jovem Guarda: 'Do rock às baladas românticas'



Antes mesmo de ser reconhecida como um movimento, a Jovem Guarda já existia. Vários sucessos desde o início dos anos 60 traziam os elementos estéticos que predominariam nas canções identificadas com o gênero a partir do lançamento do programa televisivo em 1965.

Em 1964, quando Roberto Carlos gravou “É Proibido Fumar”, composição dele e Erasmo Carlos, a sonoridade e os temas da Jovem Guarda estavam todos ali presentes. Os versos trouxeram a sensualidade, a rebeldia e os pequenos desacatos que caracterizaram boa parte dos rocks mais agitados do gênero:
 
Nem bombeiro pode apagar
O beijo que eu dei nela assim
Nem bombeiro pode apagar
Garota pegou fogo em mim
Sigo incendiando
Bem contente e feliz
Nunca respeitando
O aviso que diz...
Que é proibido fumar!

Mas nem só de rock viveu a Jovem Guarda. Uma de suas vertentes mais importantes foi composta por baladas românticas como na canção “De Que Vale Tudo Isso” que fez parte da trilha sonora do filme “Roberto Carlos em Ritmo de Aventura”, lançado em 1967. Versos sobre amores românticos idealizados, exagerados e muitas vezes melodramáticos marcaram as baladas do movimento:

De que vale tudo isso
Se você não está aqui?
Meu amor há quanto tempo
Eu não falo com você
Isso só me deixa triste e sem vontade de viver
E o meu amor que é puro,
Pode crer, meu bem eu juro:
É tão grande que duvido
Que outro igual possa haver!
Tanta coisa boa existe
E eu aqui, meu bem, tão triste
É demais qualquer minuto sem você

Essas características das baladas românticas jovenguardistas se estenderiam para a canção popular nos anos 70. Elas ajudaram a definir a estética da música brega que emergiu naquela década tendo à frente vários ídolos da Jovem Guarda, como Wanderley Cardoso e Antonio Marcos.      

Seja com rocks ou baladas, um dos segredos do sucesso da Jovem Guarda foi a capacidade de suas canções possibilitarem uma comunicação direta e de fácil compreensão por parte das classes mais populares. Os apoios da televisão, das gravadoras e de campanhas publicitárias ajudaram o movimento a ter o alcance que teve em termos de vendagens e de popularização dos seus ídolos. Ironicamente, com todo esse sucesso comercial, o nome Jovem Guarda, sugerido pelo publicitário Carlito Maia, vem de uma frase de Lênin, líder bolchevique na revolução soviética, na qual afirmava que o futuro pertenceria à jovem guarda.


A linguagem da Jovem Guarda

Nas canções e nos programas televisivos, a Jovem Guarda ajudou a popularizar uma linguagem própria dos jovens dos anos 60. Conheça algumas gírias do vocabulário jovenguardista e seus significados:

Barra-limpa: boa pessoa, pessoa camarada, amiga
Bicho: meu amigo, meu chapa
Brasa: pessoa atraente, sedutora
Broto: namorado ou namorada, moça ou rapaz no começo da adolescência
Carango: automóvel, carro
Coroa: pessoa idosa, que está passando da maturidade à velhice
Cuca: cabeça, mente
Fundir a cuca: perder o senso, confundir
Mandar brasa: agir com disposição firme, mandar ver
Papo-firme: que honra a palavra, que cumpre o prometido
Pinta: aparência, fisionomia
Prá-frente: que é muito moderno, extravagante, exótico

0 comentários:

Postar um comentário

Obrigado por nos dar o prazer da sua visita.
Seu comentario será publicado depois de moderado.

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

 
Design by Free WordPress Themes | Bloggerized by Lasantha - Premium Blogger Themes | Blogger Templates