maio 24, 2013

Esse "cara" não sou eu

Não é só o título de rei que parece imutável em relação a Roberto Carlos, que se apresenta amanhã no Mineirinho. Seu repertório, nos shows dos últimos anos também. Claro, existem exceções, mas elas mais confirmam a regra do que a desmentem. Ricardo Koctus, baixista do Pato Fu, lembra que a montagem de repertório é difícil para qualquer artista, principalmente para Roberto Carlos. “São clássicos, né? Não tem jeito. Ele teria que entrar numa pilha de fazer um show completamente diferente”.

Mais do que isso, podemos dizer que um show de Roberto hoje é uma pequena edição de sucessos. “Se ele fosse pensar só no público, o show precisaria ter mais de dez horas”, diverte-se Koctus. O extenso repertório do artista poderia possibilitar vários formatos de shows, segundo o músico. “Adoraria ver um show do Roberto com clássicos a mais e um show só de ‘não hits’”, sonha Koctus. Dá para apostar que o desejo do baixista do Pato Fu é comum a muitos fãs de Roberto.


“A imutabilidade do repertório combina com o pensamento conservador do Rei”, resume Tárik De Souza, um dos maiores críticos musicais do país. Quem esbarrou nessa postura do cantor foi o historiador Paulo César de Araújo. Autor de “Roberto Carlos Em Detalhes” (2006), possivelmente a melhor obra já publicada sobre o cantor, ele teve sua publicação embargada judicialmente pelo artista, que alegou invasão de privacidade. O livro teve de sair de circulação.


“Roberto é uma figura obsessiva, é compulsivo, um maníaco da repetição, Repete a mesma roupa, gestos, e isso acaba se refletindo no repertório de seus shows”, nota Araújo. Ele garante que o cantor poderia renovar seu show a cada temporada, já que é o artista com o maior número de sucessos populares na história da música brasileira, o campeão das paradas de sucesso, autor de canções com moradia permanente no inconsciente coletivo.


“Gastei 15 anos escrevendo o livro, boa parte deste período na expectativa de entrevistar o Roberto. Com todo esse tempo, cheguei a `montar´ um show inteiro com título, repertório. Meu plano era deixar na mesa dele no final da entrevista, como uma sugestão. Coloquei músicas que sentia falta e achei que formariam um bom espetáculo”, revela Araújo.


Ele ilustra essa questão relembrando um episódio ocorrido durante a produção de seu livro quando foi entrevistar um dos músicos do Roberto, o guitarrista Aristeu Alves. “Mostrei esse set list para ele, que achou sensacional, bacana, mas pediu, rindo: `Paulo, não faz isso, não. Está tão bom assim, a gente vai ter que ensaiar, vai dar um trabalho´. É isso, está tudo mundo mais ou menos acomodado nisso aí. Mesma coisa, mesmos arranjos, nada muda”. O tal “set list” criado por Araújo, segundo ele, está perdido entre sua papelada.


Tanto Araújo quanto Koctus citaram outro ídolo de grande estatura como exemplo possível de ser mais criativo no repertório: Paul McCartney. Na turnê que passou recentemente pelo país, o britânico fez alterações sensíveis no set list dos shows, sem deixar de tocar as imortais “Hey Jude”, “Yesterday” ou “Let It Be”. Araújo compara: “Para Roberto, estas seriam  `Detalhes´ e `Emoções´. Não dá para não tocar essas. Mas assim como Paul, ele conseguiria renovar, acrescentar novas músicas a cada turnê”.


Há canções de Roberto que parecem proibidas em seu repertório. O grande exemplo é “Quero que Vá Tudo pro inferno”, “uma música que se tornou emblemática de uma época, mas que ele próprio baniu de seu repertório”, como lembra Tárik de Souza.


Paulo César de Araújo amplifica o coro dos descontentes: “Imagina um show dos Rolling Stones sem `Satisfaction´? É a mesma coisa. `Quero que Vá Tudo pro inferno´ é minha música preferida dele e só vou dar alta para o Roberto quando ele cantar esta. Aí poderei dizer que Roberto está melhorando. É a música que o colocou onde ele está. É a música mais importante do repertório, ele não a canta desde meados dos 1980, por uma superstição, problema do TOC (Transtorno Obsessivo Compulsivo)”, diagnostica.


Com uma discografia tão extensa e bem-sucedida, seguramente existem várias joias da coroa musical de Roberto que dificilmente veem a luz do palco. Canções que não são “o cara”, mas são músicas valiosas no coração de alguns fãs e especialistas.

Agenda

O QUÊ. Show de Roberto Carlos
QUANDO. Amanhã, a partir de 21h30, no Mineirinho (av. Antônio Abrahão Caram, 1.000, Pampulha)
QUANTO. Ingressos esgotados. Exceção Setor VIP Azul,a R$420

Set List

Último show de Roberto Carlos na Arena do Grêmio, em Porto Alegre, dia 20 de abril 

1.“Emoções”  “Eu te Amo, te Amo, te Amo”
2. `Além do Horizonte´
3. “Cama e Mesa”
4. “Detalhes”
5. “Desabafo”
6. “O Portão”
7.  “Lady Laura”
8.  “Nossa Senhora”
9.  “Mulher Pequena”
10. “Proposta”
11. Pot-pourri sensual
13. “Furdúncio”
14. Apresentação RC9
15. Pot-pourri rock
16. “Como É Grande o meu Amor”
17. “Jesus Cristo”

fonte: SetList.fm

“Roberto é uma figura obsessiva, é compulsivo, um maníaco da repetição, e isso acaba se refletindo no repertório de seus shows”
Paulo César de Araújo, biógrafo do rei





Fonte: O Tempo

Um comentário:

  1. sou fã do roberto desde criança,tenho coleção completa dos disco,roberto p/ mim é eterno.mas acho sim que ele deveria mudar seu repertório no shows,esta cansativo e desgastado.ele tem muitas músicas lindas antigas que a 15 anos p/ cá não apresenta nos shows e no final de ano da globo.acho que ele não deveria cantar o que pretende e sim o que seus fãs querem ,por ex músicas de antigamente,isso é critica construtiva.

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