outubro 04, 2012

Renato e seus Blue Caps os Beatles e a Jovem Guarda


 Muitos músicos que fizeram parte do movimento Jovem Guarda não são merecidamente reconhecidos.

Muitos deles são artistas com letras maiúsculas e que infelizmente foram deixados de lado com o passar dos anos e hoje em dia quase ninguém conhece ou sequer ouviu falar.




Alguns estão entre os melhores músicos do mundo, é o caso do tecladista Lafayette que junto com Renato e seus blue caps foi o responsável por criar aquele som caraterístico do movimento.





Renato e seus Blue Caps surgiram no bairro da Piedade, no Rio de Janeiro , em meados dos anos 50. O rock ainda engatinhava no Brasil e os meninos do subúrbio carioca já faziam barulho com guitarras elétricas, influenciados principalmente pelo som dos Beatles, mas também pelo rock americano de Elvis, Little Richard, entre outros. Enquanto que na Bahia Raul Seixas incendiava com os Panteras, no Rio de Janeiro Renato e seus Blue Caps, juntamente com Erasmo Carlos, Tim Maia, Lafayette e o próprio Roberto Carlos – que viria para o Rio anos depois – formariam aquilo que seria o embrião do rock brasileiro. Começava a surgir os primeiros roqueiros tupiniquins.



Renato Barros, líder da banda, pode ser considerado como sendo um capítulo à parte na história da música popular brasileira. Compositor de grande talento, guitarrista notável, ele é injustamente lembrado e até reconhecido como o “cara que estragou as músicas dos Beatles”. Isso porque a banda Renato e seus Blue Caps foi uma das primeiras, talvez a primeira, a fazer versões em português de sucessos do quarteto de Liverpool. Cabe aqui uma análise interessante: Renato Barros foi, talvez, o principal responsável pala divulgação dos Beatles em nosso país.


Muitos brasileiros, na época, pensavam que os Beatles copiavam o Renato e não o contrário. Ou seja, o Renato gravava uma versão dos Beatles e o público brasileiro pensava que aquela era a versão original, os Beatles – posteriormente - gravariam a mesma música em inglês. Os versionistas, na realidade, eram os Beatles. E diga-se de passagem, as versões de Renato e seus Blue Caps são versões fiéis, alguns consideram até melhor do que com os próprios Beatles.


Se é melhor eu não sei, só sei que o Renato é injustamente lembrado por essas versões, quando na verdade, ele é um compositor de grande clássicos do nosso cancioneiro como a música “Você não serve pra mim” gravada por Roberto Carlos em 1967, uma das melhores músicas do rock brasileiro de todos os tempos, com uma letra considerada ousada para a época e cujo arranjo é pra lá de genial.




Nessa música, podemos perceber a guitarra Fuzz utilizada por Renato e o órgão alucinante do Lafayette. Já vi muito tecladista sofrer pra tocá-la. É por essas e outras que considero o Renato um desses dinossauros adormecidos, um roqueiro além do seu tempo e um compositor que passa longe de simples versões ou canções do tipo “Água com açucar”.

E o baixista Paulo César Barros? O que dizer dele? Pra mim um dos melhores músicos desse país. Desde pequeno sempre tocou baixo como gente grande. Gravou com os maiores nomes da nossa música: Raul Seixas, Zé Ramalho, Guilherme Arantes, Roberto Carlos, entre muitos outros. É respeitado pela crítica, inclusive no exterior, irmão do Renato Barros e membro da banda durante vários anos. Ao contrário do irmão, Paulo César tem o reconhecimento que merece.


Depois que ouvi o baixo da música “Splish Splash” gravada por Roberto Carlos virei fã do Paulo César logo de cara, aliás, Renato e seus Blue Caps acompanharam o Roberto Carlos não somente nessa como em muitas outras gravações. E olha que na época do “Splish Splash”, Paulo César tinha apenas 15 anos!

Renato e seus Blue Caps ainda é um gigante adormecido no tempo, é preciso despertar para ver o quanto essa banda merece respeito, não apenas pelos músicos que carrega ou carregou, mas também pela história deixada no rock brasileiro como sendo uma das melhores bandas brasileiras de todos os tempos.

Musicalmente falando, acho o trabalho da banda muito bom: guitarras perfeitas, linhas de baixo poderosas, teclados matadores. No disco de 1971, um dos melhores, é possível perceber uma certa influência do guitarrista Santana na sonoridade da banda, assim como no disco “Suco de Laranja” de 1979, a influência da disco music está bem evidenciada, o que demonstra a versatilidade do grupo, passando por diversas tendências ao longo dos anos, sem jamais cair na mesmice de ser uma simples banda da Jovem Guarda.


O que, aliás, é errado afirmar, pois Renato e seus Blue Caps, apesar de ter feito parte da Jovem Guarda, não é propriamente uma banda da Jovem Guarda pois o referido conjunto começou as atividades no final dos anos 50, portanto, bem antes da Jovem Guarda explodir no cenário musical brasileiro.






Fonte: Luciano Neto

Um comentário:

  1. desculpa, vi que vc colocou os créditos no final, obrigado. Sucesso.

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