setembro 29, 2012

O radialista Antonio Aguillar e o movimento Jovem Guarda


‘Timoneiro da juventude’, ‘embaixador do rock’ eram apenas alguns apelidos de Aguillar, que a história da música jovem brasileira está perpetuando.

A música foi seu momento maior. O movimento ‘Jovem Guarda’ não pode ser lembrado sem Aguillar, amigo de cantores, orientador de outros, homem de temperamento bom, que deixou também um nome respeitado no meio radiofônico e televisivo. 

Sua natural simplicidade de hoje não sinaliza a importância que ele teve no movimento musical dos anos 60. Ele valia ouro. “Para mim, não foi nenhuma surpresa vê-lo assumir uma posição de destaque em um movimento tão efervescente quando a Jovem Guarda, que tanto representou para a juventude da época,” disse o jornalista Milton Parron, apresentador do programa Memória, da Rádio Bandeirantes, de São Paulo. 

“Ele tinha um faro aguçado para revelar talentos e incentivou, apoiou e abriu espaço para artistas (cantores, cantoras, grupos musicais) hoje consagrados, como Roberto Carlos - que conheceu bem antes de ele assumir o trono de rei da MPB,” completa. Aguillar foi o fio condutor da carreira daquele grupo de cantores e compositores que tinham uma nova proposta musical: apresentar canções singelas (versões ou originais) que falassem de amor, da namoradinha de um amigo meu, de ternura, da cara de mau, do calhambeque e outras ingenuidades da ‘juventude feliz e sadia’ da época. Era com o slogan ‘juventude feliz e sadia’ que o comunicador rio-pretense fechava suas apresentações.

Nas ondas do rádio

Desde o começo dos anos 50, já no Estadão, Aguillar se manteve atento aos acontecimentos do mundo artístico. Tinha preferência pela área musical e prestava atenção em tudo, das tendências aos intérpretes e apresentadores. Em 1959, deixou o jornal e a Rádio Nove de Julho (onde apresentava programa de calouros) e foi para a Excelsior (atual CBN). Convidado por Francisco de Abreu, diretor artístico das rádios Nacional e Excelsior, Aguillar passou a produzir e a apresentar programas de auditório. Começou com ‘Clube dos Garotos’, aos domingos, adotando um estilo dinâmico e moderno. Entre uma apresentação e outra, Aguillar dava conselhos à garotada para estudar mais, respeitar os pais, etc, e foi ganhando a simpatia de todos, além de aumentar a audiência. Os programas eram um sucesso, feitos na raça mesmo. Não havia playback, era tudo ao vivo. “Eu incentivava mesmo, orientava, sugeria que os conjuntos se aprimorassem, que os cantores fizessem cursos,” disse.

Pouco depois, Aguillar lança o programa de calouros ‘Aí Vem o Pato’, que logo alcançou altos índices de audiência. “Nunca humilhamos, nem ridicularizamos os concorrentes. Lógico que os que não tinham jeito para a coisa eram eliminados. Mas, mesmo nessas situações, as pessoas não se sentiam diminuídas. Tudo era feito com profissionalismo e seriedade,” disse. Aí ele foi incrementando o programa com o quadro Calouro de Ouro, a gravadora Philips oferecia contrato e o vencedor gravava um disco 78 rotações. No final de 59, Aguillar passa a comandar, do estúdio, o programa ‘Ritmos da Juventude’, na Nacional, tocando músicas de Elvis Presley a Celly e Tony Campello. Seu estilo agradava. Era bem relacionado com a mídia e tinha bons contatos nos principais jornais e revistas do País. Além disso, abria espaço para manifestação de ouvintes e fãs, abria os estúdios aos fãs. Foi um sucesso. E Aguillar começa a apresentar programa de auditório, aos sábados, na emissora. A criatividade corria solta. Criou concursos de dança, lançou nomes artísticos e fez do twist a dança do momento.

Roberto Carlos


“Antônio Aguillar faz parte da minha história. Porque nós estivemos juntos no meu começo de carreira. Ele estava na carreira de radialista em franca velocidade, e sei a forma carinhosa com que me tratou quando cheguei a São Paulo, o oportunidade que me deu no seu programa de rádio e de televisão. Lembro que ele dizia: ‘Alô, juventude feliz e sadia!’ Enfim, não me esqueço dessas coisas 

Roberto Carlos











Antonio Aguillar lançou pela Editora Globo, o livro "Histórias da Jovem Guarda", onde conta fatos inéditos vividos por ele na época. O livro pode ser encontrado nas principais livrarias do país.

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