agosto 01, 2012

Memórias da Jovem guarda - A vitória do rei e o fim da festa


Sergio Endrigo e Roberto Carlos em San Remo recebendo a premiação

Roberto Carlos ganhou o Festival de San Remo em 1968 com a Canção "Canzone per te".

Roberto Carlos tinha vencido o famoso e tradicional Festival de San Remo, cantando uma bela balada de Sergio Endrigo em impecável italiano. Que orgulho! Foi como ganhar uma Copa do Mundo de música. Cantando com grande sentimento em dueto com Endrigo, o rei da "Jovem guarda" levantou o público e o júri e conquistou inédita vitória para as nossas cores.

E sons. Mas o triunfo internacional de Roberto acabou com a "Jovem guarda". Roberto saiu consagrado do festival, virou uma estrela na Itália, começou a se tornar conhecido na Europa, ficou maior do que a "Jovem guarda" e o "O fino da bossa" comandado por Elis Regina e Jair Rodrigues. Juntos.


No aeroporto de Congonhas uma multidão de fãs esperava, gritando, pela chegada do grande vencedor de San Remo. Quando subiram a escada do avião para abraçar Roberto, o empresário Marcos Lazaro, Paulinho Machado de Carvalho e Erasmo sabiam que a Jovem Guarda estava com os dias, as tardes de domingo, contadas.

 No início, nada mudou: Roberto vitorioso fez o circuito dos musicais da emissora e voltou consagradoramente à "Jovem guarda", em histórico programa, com todo o auditório cantando: "E tu, tu mi dirai, che sei felice come non c’e stata mai..." Mas todo mundo percebeu que alguma coisa havia mudado.

Começava o reinado de Roberto Carlos, o artista mais popular do Brasil. Aos poucos ele foi saindo da "Jovem Guarda", que se tornou apenas mais um entre todos os programas onde se apresentava. O programa continuaria sem ele, comandado por Erasmo e Wanderléa. Na última vez que Roberto se apresenta na "Jovem guarda", onde não aparecia há semanas, Erasmo lança um dos maiores sucessos musicais do ano e um clássico instantaneo: "Sentado à beira do caminho" é a música de despedida, uma bela balada de abandono e de solidão, que era para o fim da "Jovem guarda" o que "Quero que vá tudo pro inferno" tinha sido para o inicio: "Preciso acabar logo com isto, preciso mostrar que eu existo, que eu existo
..." O Brasil inteiro cantou com Erasmo, Bráulio Pedroso dedicou praticamente um capitulo inteiro de sua novela "Beto Rockeffeller" na TV-Tupi, o maior sucesso do momento na televisão, a cenas mudas com o protagonista Luiz Gustavo andando pelas ruas de São Paulo ao som de "Sentado à beira do caminho", um capítulo-clip. Erasmo e Wanderléa seguiram tocando a Jovem Guarda por mais alguns poucos meses, aos trancos e barrancos, sem Roberto, sem brigas, mas em clima de pesada melancolia.

Só quebrado pela proposta dos dois Robertos, Carlos e Farias, para que Erasmo e Wanderléa participassem do novo filme de música e aventuras a ser rodado no Japão e em Israel: "Roberto Carlos e o diamante cor-de-rosa". De repente, na vertigem daqueles tempos tropicalistas, tudo ficou muito diferente.

 Com o seu auditório incendiado, a Record passou a gravar os programas no Teatro Paramount, os musicais começaram a perder audiência, o calor das platéias já não era o mesmo, contratos começaram a não ser renovados, artistas começaram a ser dispensados, a "Jovem Guarda" saía do ar. Os musicais haviam saído de moda na televisão, começava a era das novelas.

E as tardes de domingo tinham novos donos: Sílvio Santos e suas "companheiras de trabalho", com seus calouros e variedades, no auditório da TV Globo.






Fonte:Informações www.nelsonmotta.com.br

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