agosto 17, 2012

Roberto Carlos: 'O trauma de um Rei'


Quando começou a cantar no rádio, Roberto Carlos já sofrera algum tempo o acidente cuja lembrança o acompanharia por toda a vida até o momento. Aos seis anos, teve a perna direita prensada pela roda de um trem. Socorrido por um homem que fez um garrote com seu paletó de linho, foi levado ao hospital, onde sofreu amputação na altura da parte superior da canela. Como a família não tinha recursos suficientes para a prótese, Roberto Carlos passou o restante da infância andando de muleta.


Embora não fale publicamente sobre o acidente, Roberto Carlos aborda o tema em duas músicas do início dos anos 70 que se relacionam já a partir dos títulos. "O Divã" tem letra descritiva: "Relembro bem a festa, o apito / E na multidão um grito / O sangue no linho branco / A paz de quem carregava / Em seus braços quem chorava". Em "Traumas", a referência é mais sensorial: o "delírio da febre que ardia / no meu pequeno corpo que sofria / sem nada entender".
          O acidente o marcou - nem poderia ser de outro modo. Em "O Divã", ele próprio indica, de forma confessional, que o trauma de infância ainda o acompanha: "São problemas superados / Mas o meu passado vive / Em tudo que eu faço agora / Ele está no meu presente". E insiste no refrão: "Essas recordações me matam". Mas avaliar a intensidade do impacto que essa fatalidade significou para a sua vida, música e carreira é uma questão em aberto. Supõe-se que o acidente contribuiu para despertar em Roberto Carlos o interêsse pela música, "apartando-o de vez do futuro previsível para jovens de sua condição".


          Como quer que tudo isso tenha se processado na cabeça de Roberto Carlos, o fato é que a música logo se sobrepôs à dor. É uma metáfora dessa superação o fato de que, dos objetos que carregava naquela partida definitiva de Cachoeiro do Itapemirim, tenha sido o violão - e não as muletas, logo substituídas por uma prótese - que o acompanharia no Rio de Janeiro.

Um comentário:

  1. Em uma determinada ocasião ao passar em Cachoeiro observava o mover do trem sobre os trilho, observava no reflexo da janela o mover de um brilho e procurava desconversar para não ser visto com uma lágrima no brilho do olhar. O que é ser partido e parte despedaçada da pessoa amada ser moída pelas rodas de um trem, o que é perceber que a vida em si é nada e que a saudade da pessoa amada corta feito navalha afiada. Celebrar no feriado de São Pedro o fim do mês que marcou e falou, Do 36 dias fatídicos e dentre eles 3 se destacam, pois esta escrito: " Pois, como Jonas esteve três dias e três noites no ventre da baleia, assim estará o Filho do homem três dias e três noites no seio da terra." ; esta palavra se cumpriu na minha vida pois fiquei 3 dentro do ventre do peixe. O peixe que salvou minha vida foi a U.T.I do Hospital São Jose em Belo Horizonte.

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